Mais do mesmo. Atual formato do Folia de Rua se mostra cada vez mais chato

Por Aldo Ribeiro

Talvez seja simplesmente falta de interesse de minha parte, ou quem sabe, minhas prioridades são outras. Mas, vendo as primeiras chamadas do Folia de Rua do ano que ainda engatinha, me vem à mente as boas lembranças de carnavais passados, mas também um certo esgotamento daquela mesmíssima programação de tantos e tantos anos.

Não tenho nenhuma dúvida em dizer que hoje, o melhor bloco do Folia de Rua chama-se “As raparigas de Chico”. Alternativo e relativamente recente, mas o que de melhor aconteceu nesses últimos anos. Homenagem ao grande Chico Buarque de Holanda. Várias marchinhas e sambas inesquecíveis de Chico, brincadeira sadia e sem se render aos modismos esdrúxulos, cada vez mais incutidos no nosso cotidiano. Mais blocos nesses moldes precisam surgir na cidade.

Folia de Rua precisa ser também durante o dia. Na orla, nas ruas históricas do centro. Temos uma praça Antenor Navarro subutilizada. Frevo bom, é frevo de arrasto. Uma bandinha subindo e descendo as ladeiras. O Cafuçu se tornou enfadonho. Uma multidão que se reúne na praça Dom Adauto, estáticos olhando um pra cara do outro, com uma banda de frevo por km.  Virgens e Muriçocas, realizados à noite, na véspera da segunda e quinta respectivamente. Ainda temos a violência, os assaltos. Situações que ocorrem com mais facilidade à noite.

Enfim, vendo o ressurgimento e fortalecimento do carnaval de rua no Rio de Janeiro e sobretudo em São Paulo, percebo o quanto ficamos obsoletos nesse quesito.

Aliás, gostaria de saber, qual lei diz que é proibido ter de fato carnaval em João Pessoa, no carnaval? O Folia de Rua anula nosso direito de fazer carnaval no carnaval? Não podemos fazer carnaval de rua, porque temos Olinda e Recife fazendo o carnavais midiáticos e grandiosos? Mais uma vez cito São Paulo. Cidade vizinha do badalado Rio de Janeiro, que tomou vergonha na cara e resolveu fazer um carnaval de rua pros paulistas que não viajaram. Olha a proporção que tomou o carnaval deles!

Um carnaval em João Pessoa não seria feito pra competir com Olinda ou Recife. De forma alguma. Seria pra dar opção pra quem não pôde viajar, por n motivos. Pra turistas de outros estados que preferem um carnaval mais tranquilo, mas que gostariam de pular frevo.  Pra nossos irmãos do interior do estado, que invadem as praias de nossa cidade.

Essa nossa subserviência histórica da Paraíba perante o estado de Pernambuco me incomoda. São selos que devem ser rompidos e ter de fato um carnaval em nossa capital, seria romper um desses selos. Que as cabeças pensantes do nosso carnaval repensem alguns conceitos. Mudar não dói.

Enquanto isso, “tô me guardando pra quando o carnaval chegar”.

 

 

 

 

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Sobre Tião Lucena

Sobre Tião Lucena

Tião Lucena, nascido e criado no Sertão, é jornalista desde 1975, tendo começado em A União como repórter e trabalhado em O Norte, no Correio da Paraíba, no Jornal O Momento e no jornal de Agá.

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