EM MEMÓRIA DE ORLANDO ALMEIDA E PELA ÉTICA -– O PSB DEVE EXPLICAÇÕES À CAMPINA. ALERTA PARAÍBA!

EILZO MATOS

Com a palavra Campina Grande no seu direito de pedir, e Ricardo Coutinho no seu dever de explicar. Quanto a Guilherme Almeida, o essen-cial já foi dito. De qualquer forma, ensina a sabedoria popular que o tempo é o melhor juiz. Ele ditará o seu veredicto, fará justiça no momento certo. A conduta eivada de suspeita dos dirigentes do PSB, com instalações arrom-badas, programa partidário deixado de lado, evidenciam o desenlace ine-vitável. Algo como o juízo final. Pior para os culpados, para os pecadores. Falam até na adulteração de documentos (atas). Não custa esperar.
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Modéstia a parte, é preciso informar, como segue.
Militante na política desde a juventude, eu marco presença na cena partidária paraibana, mesmo sem maior destaque, há mais de cinqüenta anos. Meio século, vejam bem! Devo ter cometido erros.. Algo trivial admito. Mas o meu nome jamais foi incluído em investigação ou decisão condenatória pela justiça publica, por qualquer delito, por atos de im-probidade.
Este antecedente ligou-me com cordialidade e alguma intimidade à família Almeida, de Brejo de Areia, uma das mais ilustres da Paraíba. Para falar em tempos recentes, em Trinta, do Século XX, o Secretário de Se-gurança Pública José Américo de Almeida acantonado com tropas da Polícia Militar, em Piancó, habitava casa alugada, vizinha a de minha avó. Ali, estrategicamente colocados, vigiavam qualquer movimentação do coronel José Pereira, inssurreto, no município vizinho, Princesa Isabel. Por fim, passados muitos anos, ele me fez também secretário de segurança pú-blica, no honrado e pacífico governo Ivan Bichara, secretaria que já fora exercida, tempos atrás pelo meu tio Salviano Leite.
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Sei que os meus amigos perrepistas, Valdir Lima e os Gaudêncio entre tantos outros, que já lavaram a alma, e vivem como vivemos a esta altura da existência a “vida dos comuns”, abespinhados batem na madeira com o nó dos dedos quando falo desses amigos: Zé Américo, Zé Rufino, Horácio, Thales, Amauri, Orlando. Paro por aqui, pois continuar a referir nomes de Almeidas importantes seria um nunca acabar. Todos ilustres, notáveis como cidadãos, cultos, dignitários respeitados. Desde a Presi-dência da República – alijados pelo Golpe de 37, com candidato tido como vitorioso –, a Ministérios, Academia Brasileira de Letras, Governo Es-tadual, Senado, Câmara Federal, Assembléia Legislativa, Secretarias de Estado, vereanças, edilidades, etc, etc ali estiveram presentes.
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Sozinho, nos últimos anos, Orlando Almeida, filho de médico Elpí-dio de Almeida, ex-prefeito de Campina Grande, sustentava uma verda-deira legenda de honorabilidade como cidadão na vida pública e privada, que deixou como herança para os seus descendentes, no caso, para o seu filho deputado Guilherme Almeida. Grande como todo campinense, ex-prefeito, Orlando honrou como político não somente a sua cidade natal, mas toda Paraíba. Era um parlamentar que marcava a sua presença no plenário da Assembléia Legislativa, sempre vigilante e inteligente. Modes-tamente se deslocava de ônibus, todos os dias, de Campina para João Pessoa, não perdia sessão, e trazia na fronte sempre erguida, o sinal da firmeza do caráter, da coragem para a defesa das causas que diziam respeito à terra e ao povo, à discussão dos grandes temas.
Ofereço o meu testemunho pessoal sobre os traços do seu tem-peramento altivo, de sua personalidade incorruptível, autorizado pela convivência estreita que mantivemos em todo este período de tempo.
Eis que, alguns ressentidos e despeitados, chafurdam a sua tradição de distinção e cultura, opõem obstáculo traiçoeiro no caminho do seu filho e sucessor. Procuram embaraçar-lhe os passos na trajetória política. Inacei-tável tal postura partidária, justamente de onde partem as tocaias maldosas.
Efetivamente, dada essa vivência e prática familiar e pessoal no exer-cício da administração, no desempenho e gestão de mandatos, vem a minha indagação:
A que propósito se oferece e se submete o Partido Socialista Brasileiro, para impedir que assuma uma secretaria de Estado, para a qual foi convidado o deputado Guilherme Almeida, filiado a essa agremiação partidária, filho do antes referido Orlando Almeida?
Aliás, PSB e PMDB, como coligados disputaram eleição, cujo gover-nador assume agora o cargo, e pede ao aliado a sua colaboração na composição do seu secretariado. Tudo muito natural e previsível.
Da capacidade do deputado Guilherme Almeida todos falam, com elogiosas referências. Intentaria, gratuitamente, o partido, barrar o cumpri-mento de uma eficiente tradição do seu clã, do surgimento de militante político-partidário notável, partindo da nobre e aguerrida Campina Grande?
A ética indispensável e constitutiva da vida das pessoas e também das instituições, da vida pública, descarta semelhantes baixezas como a contida na proibição absurda. Cabe ao prefeito Ricardo Coutinho, firme na torpe hierarquia militarista dos seus coturnos vitoriosos, mostrar a ele-vação, a grandeza, o patriotismo, a pureza moral, a honorabilidade, como presidente do partido, explicando as razões do veto.
Não aceitamos “camelôagens” fundadas na raposice que afronta a lei, que algumas vezes organiza coligação de abundantes legendas coopta-das à custa do erário. Nisso ele é mestre. Queremos a verdade do fato, sem a mídia enganosa que divulga o que quer e esconde também o que quer. Quero, e o povo também quer e espera a verdade.
Campina merece.
...............................................................................................................Confluência Peixe/Piranhas/Piancó, junho/2009.

 




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