E assim se passaram 14 anos. Naquela manhã de oito de julho eu acabara de acordar com a notícia da chegada do corpo de Burity a João Pessoa. Ele estava mal,saíra daqui com a incerteza da volta. “Não tenho medo da morte, tenho saudades da vida”, confidenciara a Luizinha, sua fiel secretária. Eu chorei, solucei como uma criança diante do seu corpo. Acabara de perder meu segundo pai.

Morreu durante uma intervenção cirúrgica tentada, como cartada derradeira, para lhe alongar a vida. Seu coração estava detonado desde a primeira campanha para senador. A gente via a dificuldade que sentia até para subir nos palanques. A voz às vezes falhava, mas ele insistia. E foi até o fim. Não ganhou porque enfrentou, sozinho, o dinheiro de Ney Suassuna e a máquina de Zé Maranhão no Governo.

Ainda tentou uma segunda vez, naquela vez em que Efraim passou a perna em Braga. Ficou em quarto lugar, mas obteve 500 mil votos.

Burity não tinha doença. Convivi com ele de perto, convivi com a família dele, fui assessor de imprensa de Dona Glauce. Era um homem regrado, não bebia e não fumava. Seu coração adoeceu depois daqueles tiros disparados por Ronaldo Cunha Lima no restaurante Gulliver.
Burity não se conformou com a injustiça, com a impunidade, com a cumplicidade de políticos tidos como sérios com o quase assassino, e por isso adoeceu. Quem não adoeceria?Quem acharia bom ver o cara que lhe desferiu três tiros a queima roupa sendo endeusado, enquanto a vítima,marcada pelas cicatrizes das balas, ficava fazendo o papel de provocador?
Naquele episódio dos tiros, lembro bem, a imprensa tratou o caso como um incidente. A máquina do Governo calou a boca de todo mundo. Minto, Marcone Góes botou O Norte como contra ponto às cumplicidades do resto da imprensa. Mas foi somente enquanto não lhe ofertaram os tostões do cala boca.Ele aceitou a oferta, fizeram uma cama de gato para ele e depois o desmascararam.

Burity foi um grande governador. No primeiro mandato, revolucionou a Paraíba. No segundo, fez obras importantes, mas enfrentou o boicote maldito da Assembléia e do PMDB comandado por Humberto Lucena. Inviabilizaram seu Governo e quase o depenaram.
Ele escapou ileso. Escapou inclusive dos tiros de Ronaldo. Mas não teve como conter seu coração magoado e destroçado diante das injustiças que sofreu.

A Paraíba há de lhe fazer justiça.

 




Comentários realizados

  • 10/07/2017 às 18:40

    GEORGE COUTINHO DE ARAÚJO

    George, Tarcísio de Miranda Burity, um grande homem (não um político), que até hoje não há sucessor.

  • 09/07/2017 às 21:44

    Gilberto Martins

    É muito difícil descrever o homem Tarcísio de Miranda Burity, muito mais difícil ainda, é vê o tamanho do impulso que a Paraíba teve em seus dois mandatos de Governador. Burity foi chefe que me deixou saudades. Leal, sério, probo, dinâmico, honesto e sincero. Só nos deixou coisas boas como lição de vida. Fui Assessor de Imprensa de Orlando Almeida na Secretaria de Desenvolvimento Habitacional, Paulo Barbosa na Procuradoria Geral dá Defensoria Pública além de apresentar solenidades em muitas obras inauguradas por essa Paraíba afora.

  • 09/07/2017 às 05:58

    chico

    Ele era um visionário,mas infelizmente os reacionários ignorantes e os ante republicanos do nosso estado fizeram a cabeça da massa ignara que não conseguiu entender a forma inovadora de administrar dele preferindo aplaudir os fantoches endeusados pela mídia tupiniquim que ainda caminham céleres na nossa imprensa até hoje ,pois os mesmos que vivem procurando meios para detonar o atual governador.Ms um dia a história vaia reeditar quem foi Burity e como pensava como administrador.

  • 08/07/2017 às 22:24

    Arnaudo

    Tudo que Burity fez foi bem feito, espaço cultural,hemocentro, Funade(salvo engano), via oeste, idealizou o "Costa do Sol" , um visionário!!!!, O fórum Arquimedes Solto Maior, Hotel Garden, estudei numa escola tida como modelo à epoca em Sousa, a Escola Mestre Júlio Sarmento. Verdade, foi e será difícil chegarem a marca do erudito, jurisconsulto: Tarcísio de Miranda Burity.

  • 08/07/2017 às 13:19

    Geraldo navarro

    Finalmente um justo a lhe fazer justiça. A lealdade não cabe no caráter de todos

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