A Associação dos Delegados da Polícia Civil do Distrito Federal (Adepol-DF) divulgou, nesta terça-feira (16), uma nota de repúdio aos fundamentos da exoneração do delegado Miguel Lucena como chefe da Divisão de Comunicação da Polícia Civil (Divicom).

O caso, veiculado pela imprensa nesta segunda-feira (15), trata de uma manifestação do delegado a respeito de quem os pais e mães convidam para o convívio de seus filhos. Em um grupo fechado do whatssapp, ele falou que “as crianças estão pagando muito caro por esse rodízio de padrastos em casa”, em referência ao recente caso de violência sexual praticado pelo companheiro da mãe de uma criança do Gama.

De acordo com a nota, a colocação de Lucena despertou na sociedade uma reflexão sobre quem os pais e mães estão colocando dentro de casa. “Precisamos avançar nas discussões sobre as responsabilidades de todos com os rumos da sociedade. O bandido já está diferenciado. É ele quem vai ser preso, só não pode é colocar outro dentro de casa", disse.

Lembrando que a manifestação ocorreu em um grupo fechado e dotado de opinião pessoal, a Adepol desacredita que tal posicionamento se refletiria na vida profissional do delegado, a não ser em caso de completa incompatibilidade com a dignidade envolvida no cargo.

Por fim, a nota revela uma suscetibilidade da Administração da PCDF a mudanças políticas e reforça o pedido de reflexão de Lucena: “Pai, mãe, quem você está colocando dentro de casa para conviver com suas crianças? Será que você não está colocando-as em risco?”.

Leia  nota

Vimos, por meio desta, nos manifestar acerca de matérias jornalísticas, veiculadas no dia 15/05/17, que tem por escopo expor a exoneração do Delegado de Polícia Miguel Lucena, do cargo de chefe da DIVICOM/PCDF, e seus fundamentos.

Com efeito, noticiou a imprensa que o Dr. Miguel Lucena teria manifestado, em grupo de whatsapp fechado, que “as crianças estão pagando muito caro por esse rodízio de padrastos em casa”, em referência à violência sexual praticada pelo companheiro da mãe de uma criança recentemente no Gama/DF, e que o teor machista da declaração teria fundamentado sua exoneração.

Ao manifestar-se sobre o fato em rede social, o Dr. Miguel instou a sociedade à reflexão de quem os pais e mães estão colocando dentro de casa para conviver com os seus filhos, aduzindo que “precisamos avançar nas discussões sobre as responsabilidades de todos com os rumos da sociedade. O bandido já está diferenciado. É ele quem vai ser preso, só não pode é colocar outro dentro de casa.”

Nesse cenário, em análise sumária, pautados na realidade social enfrentada em nossa cidade, cumpre ressaltar que é pertinente a reflexão proposta pelo Dr. Miguel visando a prevenção da violência doméstica. Ademais, a repulsa a esse debate e ao enfrentamento da realidade vivida presta-se apenas à alienação social, a ausência de autoresponsabilidade dos membros das famílias pela preservação de seus dependentes e a potencialização da vulnerabilidade de hipossuficientes, especialmente as crianças.

Outrossim, vale ressaltar que a crítica feita pelo Dr. Miguel foi manifestada em rede social fechada, refletindo opinião pessoal que não teria o condão, a princípio, de repercutir em sua vida profissional, exceto se absolutamente incompatível com a dignidade do cargo, o que evidentemente não é o caso.

Assim, repudiamos os fundamentos da exoneração do Dr. Miguel expostos na imprensa, posto que lamentavelmente reflete a imputação leviana de conduta discriminatória, que nos parece claro que não ocorreu por se pautar na realidade social. Esse fundamento revela, ainda, a suscetibilidade da Administração da PCDF a mudanças estritamente política, uma vez que está ausente o respaldo técnico.

Por fim, encampamos o pedido de reflexão do Dr. Miguel: “Pai, mãe, quem você está colocando dentro de casa para conviver com suas crianças? Será que você não está colocando-as em risco?”

 




Comentários realizados

  • 17/05/2017 às 16:10

    Alberto Leitão

    A imprensa e a sociedade são muito hipócritas. O delegado falou a mais pura verdade, relatou apenas o real risco que as crianças se expõem, e em nenhum momento eximio o meliante da culpa. Aonde está o erro cometido pelo autoridade!? Ainda que o episódio fosse dito em nota oficial, em nada seria motivo para tanto estardalhaço. Aqui é o país da inversão de valores. Lamentável.

  • 16/05/2017 às 22:57

    cicero de lima e souza

    Correto, Doutor Miguel, pois na maioria da vezes, à primeira vista, o sujeito só se "interessa" pela mãe, pensando na filha ou filho menor. Parabéns

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