Quando voltei ao sertão

Quando voltei ao sertão, na semana passada, encontrei barreiros cheios de água. Aquele açude que fica antes de Taperoá e passa de um lado ao outro da estrada,também tinha água. Só não vi água no Jatobá de Princesa, mas o motivo todos nós sabemos: os riachos que enchem o Jatobá desde quando ele foi inaugurado em 1960, foram desviados para pequenos açudes construídos em propriedades particulares, de modo que a água só chegará ao Jatobá quando esses açudes sangrarem.

Outra coisa que vi e gostei foi a entrada de Princesa para quem vem de Teixeira. Ali o prefeito Domingos plantou pinheiros de um lado e do outro da rodovia e os bichos já começaram a crescer. Imaginei quando estiverem adultos e senti que aquilo vai impressionar o visitante. Falta o prefeito ajeitar o calçamento da cidade, pois entrada bonita com calçamento feio é o mesmo que vestir calça de veludo com a bunda de fora.

O velho Dosca

Dosca do Ó é um amigo de infância que prezo muito desde quando perambulávamos pelas ruas do Pacheco a cata de raparigas.Tempos bons do quartel do 14, onde servimos à Pátria ao lado dos ilustres princesenses Cabo Torres, Sargento Soares, Cabo Lira, Subtenente Aureliano, Corneteiros Ernani e Benami, e, claro, os recrutas Tião Lucena, Ademar de Rosendo e Nosmam de Zé do Campo.

Quando o soldo do quartel nos permitiu, abandonamos os alojamentos onde morávamos e alugamos um quartinho em Sucupira, onde morávamos e dormíamos pendurados em redes. E éramos felizes. Nos finais de semana, devidamente limpos e perfumados, atacávamos os bailes do Pacheco e o viaduto de Sucupira catando mulheres. Todos nos arranjávamos, menos Ademar, o mais rico,o mais cheiroso e o mais bem vestido.

Depois soubemos os motivos dos insucessos de Ademar. Ao se aproximar das meninas, o galanteio que ele pronunciava era sempre este: -Diz aí, boa de vara!”

Mas eu falava de Dosca, o grande representante da família do Ó. Ele não morava no quartinho, mas nos visitava sempre. Numa dessas visitas já chegou quase pronto. Tinha derrubado umas três garrafas de pitu com peixe frito no apartamento de Véi de Severino Almeida e pretendia beber mais. Enquanto esperava uma meiota mandada comprar na bodega da esquina, desapareceu do quarto,atraído pelo batuque de um terreiro de macumba existente na casa vizinha. Fomos a sua procura lá e nem bem chegamos, vimos a confusão. O batuque parara e o chefe do terreiro, aos gritos,expulsava um intruso.Era Dosca, que entrou sem ficha na festa e, ao ver aquele monte de mulheres dançando em círculo com o cão nos couros, recebeu o espírito de Zé Pilintra e entrou na roda,dançando do mesmo jeito que elas.

Noite de amor

Nos velhos tempos de jornal todos éramos lisos. Aliás, minto, Cicero Lima já era endinheirado, pois foi trabalhar como assessor de Aécio Pereira, depois formou-se advogado e já tinha apartamento montado em Tambaú.Era nesse apartamento que todos iam nos finais de semana, beber e quengar. Cicero tinha um estoque de belas moças, que bebiam muito e não se negavam a fazer caridade aos frequentadores.

Naquela noite fatídica de sexta feira, o jornalista Antonio Costa, jovem mancebo recém chegado às redações, tomou um litro de Ron e se deitou com uma morena do Castelo Branco no tapete da sala. Claro que, quando o apartamento silenciou, Costa abufelou-se com a moça e os dois passaram a noite no maior fuzuê.

Pela manhã,cansado e vencido pela noite de amor,Toinho confessou ao dono da casa:

-Cicero, meu filho, que morena arrochada da mulesta! Amanheci o dia com a cabeça da rôla esfolada!

E Cícero, já sabedor de tudo:

-Arrochada uma porra,Toinho. Tu passou a noite enfiando a rôla no tapete!

 




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