Os ministros do STF Gilmar Mendes, Dias Tófolli e Ricardo Levandovisk soltaram Zé Dirceu. Convido meus amigos do Face a ler o texto abaixo, da lavra da juíza Ludmila Lins Grillo, com o qual of País todo concorda plenamente.

 
“Sempre que o STF profere alguma decisão bizarra, o povo logo se apressa para sentenciar: “a Justiça no Brasil é uma piada”. Nem se passa pela cabeça da galera que os outros juízes – sim, os OUTROS – se contorcem de vergonha com certas decisões da Suprema Corte, e não se sentem nem um pouco representados por ela.
O que muitos juízes sentem é que existem duas Justiças no Brasil. E essas Justiças não se misturam uma com a outra. Uma é a dos juízes por indicação política. A outra é a dos juízes concursados. A Justiça do STF e a Justiça de primeiro grau revelam a existência de duas categorias de juízes que não se misturam. São como água e azeite. São dois mundos completamente isolados um do outro. Um não tem contato nenhum com o outro e um não se assemelha em nada com o outro. Um, muitas vezes, parece atuar contra o outro. Faz declarações contra o outro. E o outro, por muitas vezes, morre de vergonha do um.
 
Geralmente, o outro prefere que os “juízes” do STF sejam mesmo chamados de Ministros – para não confundir com os demais, os verdadeiros juízes. A atual composição do STF revela que, dentre os 11 Ministros (sim, M-I-N-I-S-T-R-O-S!), apenas dois são magistrados de carreira: Rosa Weber e Luiz Fux. Ou seja: nove deles não têm a mais vaga ideia do que é gerir uma unidade judiciária a quilômetros de distância de sua família, em cidades pequenas de interior, com falta de mão-de-obra e de infra-estrutura, com uma demanda acachapante e praticamente inadministrável.
 
Julgam grandes causas – as mais importantes do Brasil – sem terem nunca sequer julgado um inventariozinho da dona Maria que morreu. Nem uma pensão alimentícia simplória. Nem uma medida para um menor infrator, nem um remédio para um doente, nem uma internação para um idoso, nem uma autorização para menor em eventos e viagens, nem uma partilhazinha de bens, nem uma aposentadoriazinha rural. Nada. NADA.
 
Certamente não fazem a menor ideia de como é visitar a casa humilde da senhorinha acamada que não se mexe, para propiciar-lhe a interdição. Nem imaginam como é desgastante a visita periódica ao presídio – e o percorrer por entre as celas. Nem sonham com as correições nos cartórios extrajudiciais. Nem supõem o que seja passar um dia inteiro ouvindo testemunhas e interrogando réus. Nunca presidiram uma sessão do Tribunal do Júri. Não conhecem as agruras, as dificuldades do interior. Não conhecem nada do que é ser juiz de primeiro grau. Nada. Do alto de seus carros com motorista pagos com dinheiro público, não devem fazer a menor ideia de que ser juiz de verdade é não ter motorista nenhum. Ser juiz é andar com seu próprio carro – por sua conta e risco – nas estradas de terra do interior do Brasil . Talvez os Ministros nem saibam o que é uma estrada de terra – ou nem se lembrem mais o que é isso. Às vezes, nem a gasolina ganhamos, tirando muitas vezes do nosso próprio bolso para sustentar o Estado, sem saber se um dia seremos reembolsados – muitas vezes não somos.
 
Será que os juízes, digo, Ministros do STF sabem o que é passar por isso? Por que será que os réus lutam tanto para serem julgados pelo STF (o famoso “foro privilegiado”) – fugindo dos juízes de primeiro grau como o diabo foge da cruz? Por que será que eles preferem ser julgados pelos “juízes” indicados politicamente, e não pelos juízes concursados?
 
É por essas e outras que, sem constrangimento algum, rogo-lhes: não me coloquem no mesmo balaio do STF. Faço parte da outra Justiça: a de VERDADE.”

 




Comentários realizados

  • 07/12/2017 às 16:31

    severino de maria

    Ó minha jovem meritíssima,descobrirás com a idade e a experiência, que no que tange a justiça, neste país, estamos feito aquele filósofo pré-socrático que em pleno meio-dia saiu com sua lampada acesa. No nosso caso, procurando juízes e juízas que falem pelos autos, não pela midia.

  • 06/12/2017 às 10:43

    Arael Costa

    Nem tanto ao céu, nem tanto ao mar. Embora não sejam originários do segmento "juiz", há outros ministros no STF que têm origem nos demais segmentos que compõem o quadro. Temos ministros originários do Ministério Público e temos ministros originários da OAB. Lamentavelmente, embora as origens até recomendem o conjunto, temos de registrar que mesmo originários do judiciário e do ministério público todos os ministros tiveram indicação política final. Vejam bem figuras como Levandowski e Gilmar Mendes. Lembremos, também, muitas figuras ingressas no judiciário por concurso, que "fazem das suas", como o juiz que liderava uma quadrilha de furto de automóveis e guardava o produto da "coleta" no depósito judicial sob sua jurisdição. O que houve com ele? Foi aposentado e morreu juiz, com todas as prerrogativas... É de perguntar a essa juíza por que as entidades que ela integra não se levantam para ajudar a purgar o processo de escolha desses juízes-ministros. Então, peçamos a essa e a muitos outros juízes que liderem um processo de limpeza na sua área, para então, falar com verdadeira autoridade.

  • 06/12/2017 às 08:47

    Silva

    Oi tião, falou e disse a Doutora com clareza esta realidade bizarra que chega assombrar até as mentes menos letradas. O que fazer, a não ser engolir, e depois vomitar como procedeu esta desembaraçada e destemida juíza que, em sua visão clara, não fraquejou em citar nomes.

  • 05/12/2017 às 18:15

    Fred

    Discordo em parte da MM. Juíza. Caráter não tem relação com conconcurso ou inteligência. Luiz Fux é concursado, no entanto, os juízes brasileiros recebem auxílio moradia em razão de sua decisão monocrática. O juiz Paraibano que vendia sentenças também é concursado. Fernando Capez, Membro do Ministério Público de São Paulo, támbém é concursado e acusado de chefiar a máfia da merenda... Lembrem -se que a presidente concursada permite que todos os processos envolvendo mafiosos sejam distribúidos sem sorteio para as mãos de Gilmar Mendes e não toma providências cabíveis. Fica caladinha achando gostoso.

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