Por Francisco Florencio – um contador de estórias

Minha avó contava-me a estória que reconto a seguir. Lembro-me que perguntei a ela qual era a moral dessa estória. E de sua resposta incisiva: viva e descobrirá! Vamos a ela.

No principio, existia um grande galinheiro denominado Pindorama, onde reinavam galinhas selvagens, simplórias, bravas mas inocentes. No ano 1500 DC, em Pindorama, aportou um galo chamado Cabral, e com ele uma centena de galinhas branquinhas, que cacarejavam diferente e, em troca de espelhos, colares e cacarecos, ao longo do tempo, dominaram as suas homônimas selvagens e as colocaram a seu serviço. E formaram um novo galinheiro, o qual denominaram BRASIL. Estas galinhas branquinhas eram em verdade aves de rapina travestidas de galinhas. E com artes e artimanhas dominaram o galinheiro desde então. E querendo melhor explorar os terreiros e capoeiras, aprisionaram em terras distantes outras galinhas, bem escurinhas, as famosas “galinhas d’Angola”.

Tudo misturado, selvagens, escurinhas e até as branquinhas, formou-se ao longo dos séculos, um poderoso e rico galinheiro. Sempre dominado pelos descendentes das galinhas de alma de rapina. Eram uma minoria, que eram referidas pelas demais, como as galinhas das “zelites”. Ao longo da história do galinheiro, ocorreram muitas guerras, revoluções e lutas, seja por disputas entre as “zelites”, seja pelo desejo de liberdade das demais galinhas e principalmente pelo direito ao usufruto do trabalho de produzir ovos, que continuavam a engordar os tesouros das “zelites”.

Por conta do rico butim produzido pelo galinheiro, ocorreram muitas divisões entre as “zelites”. Brigavam entre si pelo dominio do galinheiro, com promessas de felicidade e alegria para todos. E as galinhas aplaudindo hora uns, hora outros. As próprias galinhas chegaram a formar seus partidos, em contraponto aos das “zelites”. Estranhamente as lideranças desses partidos, na medida que se contaminavam com o poder, aos poucos transmutavam-se em “zelites”. Com jeitos, trejeitos e gostos das “zelites”. Discurso de galinhas e alma de “zelites”.

E até hoje, são sempre as “zelites” que governam o galinheiro. As galinhas - coitadas - para sustentar os privilégios daquelas, pagam o pato – que não comem. De cada dez ovos – frutos do suor e do fiofó delas – deixam quatro ou mais para o banquete das poderosas “zelites”.

Com ordem e progresso, milhões de galinhas madrugam, labutam e sofrem para produzir ovos, que lhes são roubados por aquelas das“zelites”. E continuam as galinhas na esperança de que sua libertação final só se dará quando um Messias Salvador – S.S Galinácio da Silva – a alma mais honesta do mundo - aqui aportar e redimi-las, sob promessas do paraiso das galinhas proletárias. Coitadas! Estão condenadas à por ovos a vida inteira e darem suas vidas para servir ao banquete de companheiras com ares de galinhas mas com almas de aves de rapina!

Aqui termina a estória contada por minha avó. Levei 70 anos para entender qual era a moral da estória: TODAS AS GALINHAS SÃO IGUAIS. É O PODER QUE AS TRANSFORMA EM AVES DE RAPINA.

(P.S – Como exterminar aves de rapina? Corte-lhes as asas, os bicos e as garras. A democracia é a medicina. A Lei, o remédio)

 

 




Comentários realizados

  • Essa matéria ainda não tem comentários realizados e você pode ser o primeiro a comentar.

Deixe seu Comentário

Seu endereço de e-mail é de preenchimento obrigatório, mas não se preocupe que não publicaremos. Seu comentário será moderado pelo administrador do site e só será divulgado após isso.*

Outras Notícias