Como vocês sabem – e se não sabem ficam sabendo agora -, estou com um livro pronto. Já saiu da gráfica e está comigo aqui em casa, esperando a hora de ser lançado ao distinto público. Nele eu conto causos engraçados vivenciados por políticos paraibanos. De certo, já tenho os lançamentos de Princesa, dia 24 deste mês, e do Ingá, de 29 de novembro. O de João Pessoa, estou acertando. Na coluna de hoje, vou contar alguns acontecidos que estão no livro, para vocês experimentarem e ficarem com água na boca. Aproveitem:

Descortesia

Ramalhetes de flores foram colocados pelo deputado Antonio Nominando Diniz na mesa das taquígrafas da Assembléia, uma maneira de homenageá-las pela passagem do seu dia.

Na tribuna, exaltado, o udenista Joacil de Brito Pereira fazia contundente discurso contra o PSD. Raymundo Asfora tirou algumas flores da mesa de taquigrafia e levou para o orador, que explodiu:

-Senhor presidente, eu não admito palhaçada.

Nominando Diniz levantou-se e abriu a seguinte questão de ordem:

-É a primeira vez, senhor presidente, que vejo alguém protestar por receber flores.

O povo entende

Candidato a prefeito de Santa Rita em 1988, Marcus Odilon convocou uma tropa de choque da esquerda para auxiliá-lo. Sua bandeira de campanha era obscurecer a administração do seu antecessor, Severino Maroja, a quem chamava de “Biu Cambão”.

Durante um comício no Alto das Populares, Odilon pediu a Washington Rocha, do time esquerdista, que baixasse a lenha em Maroja.

Rocha, falando bonito e difícil, começou a catilinária:

-Esse prefeito Severino Maroja, meus amigos, não passa de um dilapidador dos cofres públicos”.

Foi interrompido por Marcus Odilon, que aconselhou:

-Doutor, assim não dá. Chame o homem de ladrão que o povo entende. Esse negócio de dilapidador só serve no PT”.

Em diagonal

Uma tarde, no Rio,Seu Cabral andava pela avenida Rio Branco. Resolvendo passar para o outro lado, meteu-se na frente dos carros, fora do sinal. O guarda gritou :

- Cidadão, não pode ir por aí. É proibido atravessar em diagonal.

Severino Cabral voltou :

- Você não conhece roupa não, ignorante ? Isto não é “diagonal”. É “tropical maracanã”.

Atravessou em diagonal e tropical.

Carta do defunto

Morreu Zezinho Rosas e Wilson Braga foi ao velório, solidarizou-se com a família acompanhou o enterro até o cemitério, compareceu a missa de sétimo dia, porém dias depois, quando das festas natalinas, enviou belo cartão de natal para o falecido e família.

Um irmão do finado achou por bem dar o troco. Escreveu uma cartinha ao deputado em nome do defunto:

“Deputado Wilson Braga,

“Tomei conhecimento do seu Cartão de Boas Festas a mim dirigido e enviado ao meu antigo endereço”.

“Lembro-me bem do senhor no meu enterro e na missa de sétimo dia que a minha família mandou celebrar na Igreja Nossa Senhora de Lourdes”.

“O senhor estava sentado num banco, na segunda fila”.

“Devo dizer-lhe, portanto, que o meu endereço mudou. Moro agora no Cemitério Senhor da Boa Sentença, Quadra 10, túmulo no. 504.”

“Por favor, não me envie mais correspondência”.

“Grato, Zezinho Rosas”.

Pedindo proteção

De passagem por Teixeira, o governador João Agripino é abordado pelo popular Zé da Onça:

-Dr. João, preciso da sua proteção.

João promete:

-Ande direito que terá minha proteção.

Aí Zé agradece:

-Muito obrigado, governador. Mas eu andando direito, não preciso da ajuda de ninguém.

Sumitério e suminário

O ministro José Américo de Almeida foi participar de algumas solenidades de inauguração no município de Antenor Navarro. A cidade inteira preparou-se para recebê-lo. Ruas com bandeirolas, a banda de música tocando, e o povo cercando o governador, sem deixá-lo andar. O prefeito Alexandre ficou impaciente, e lembrou:

-Governador, está na hora de inaugurar o sumitério.

-Não é sumitério, Alexandre. Diga cemitério – alertou o ministro.

-Isso é pro sinhô que istudô em suminário.

O aparte do jegue

O júri estava sendo realizado numa cidadezinha sertaneja e pela presença de Ronaldo como advogado do réu, o povo fez fila para assistir os debates entre ele e o promotor. Lá dentro, plenário repleto e os debates bem acalorados, o promotor querendo se exibir em cima de Cunha Lima, interrompendo-o a cada cinco minutos com apartes e mais apartes. Até que, a certa altura, um jumento, amarrado do lado de fora do prédio do Forum começou a rinchar. Ronaldo, sem perder o fio da meada, olhou para o promotor enxerido e perguntou:

- V. Exa., me pediu um aparte?

A platéia delirou. E o promotor calou-se de vez.

O safadinho

Padre Albeni Galdino, assessor do governador Wilson Braga, foi designado por ele para recepcionar o ministro Ernani Sátyro no Aeroporto Castro Pinto. Albeni foi, meio desconfiado, mas foi. É que, em Patos, o Padre pertencia a ala adversária de Ernani.

Quando Ernani desembarcou, foi logo abraçado por Albeni, que lhe deu as boas vindas em nome do governador, mas o ministro, espiando para ele, indagou:

-Amigo velho, como é o seu nome?

-Meu nome é Albeni Galdino...”, respondeu o assessor.

O ministro, com aquele vozeirão, arrematou:

-Amigo velho, é que você se parece muito com um safadinho lá de Patos, que tem o apelido de Padre!

E o padre, com a cara mais lisa do mundo:

-Muita gente acha isso, ministro!

Porta errada

Cumprindo mandato de deputado federal em Brasília, Pedro Gondim chegou da Paraíba e foi direto para o seu apartamento. Entrou e anunciou festivamente para a empregada que o servia desde muito tempo:

-Da Luz, Da Luz, trouxe carne de sol para você preparar com aquela macaxeira que veio da Paraíba.

E prosseguiu, adentrando à sala de jantar:

-Cadê Da Luz?

As pessoas que estavam jantando interromperam a refeição e ficaram olhando pra Doutor Pedro sem entender nada.

O deputado entrara no apartamento errado.

**

Bem, o resto está no livro, que eu não sou besta de contar tudo aqui e vocês não irem ao lançamento.

 




Comentários realizados

  • 05/10/2015 às 10:07

    Jarbas Murilo (Serra Branca-PB)

    Tião, seu Clóves - do "Bar da Cabrita" - diz que aguarda sua visita para faturar e trocar o carro (rssss).

  • 05/10/2015 às 08:59

    Alexandre Araujo

    Esse livro Tião faço questão de receber aqui em Rondônia abraços de toda comunidade Paraibana aqui residente especialmente no município de Ouro Preto do Oeste distante 330 km da capital Porto Velho

  • 03/10/2015 às 20:04

    Pedro Fernandes.

    Muito bom,rindo demais kkkkkkkk

  • 03/10/2015 às 15:17

    Renê batista

    Tião qua do vc vem ao cariri? Deixei uma conta fiado em seu nome lá na barraca da cabrita!

    Resposta de Tião

    Deixe que eu pago quando passar por lá. Seu Clóvis colocou no computador?

  • 03/10/2015 às 11:42

    José Lucena

    Esse Promotor era muito fraquinho, se fosse mais esperto retrucaria: Não Dr. Advogado, nesse momento sou todo ouvido e só escuto os sons de sua vós.

  • 03/10/2015 às 11:33

    Jarbas Murilo (Serra Branca-PB)

    Comprarei sim, o livro do distinto escritor/blogueiro. Sucesso, caro Tião Lucena.

  • 03/10/2015 às 11:14

    Gena

    Como sugestão: Tu lembra do classificado de O Norte, agente comprava o jornal por causa dele. Acredito que, o portal que implanta-lo vai se dar bem. Felicidades...

  • 03/10/2015 às 09:28

    Edmundo dos Santos Costa

    O PROMOTOR NÃO CALOU-SE. RESPONDEU: VOSSA EXCELÊNCIA OUVIU O ECO DA PRÓPRIA VOZ!

  • 03/10/2015 às 07:20

    Olégario maciel

    Parabéns Tiao babão pelo livro! Gostei muito do aperitivo que você publicou aqui no blog, dia 24 estaremos juntos aqui em Princesa para os autógrafos e abraços!

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