O carnaval começa na sexta vindoura. Nas cidades do interior é assim. No sábado tem o Zé Pereira e aí se emenda de semana adentro, só parando na quarta feira de cinzas, quando os corpos, ressacados, devendo até os cabelos da cabeça e sentindo saudades,entregam-se à ressaca e começam a sonhar com o carnaval seguinte.

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Em Princesa a festa começava na sexta. No domingo tinha o mela mela e o molha molha. Seguiam-se os desfiles dos caretas e  do bloco dos Arapapacas, ao som do sax de Zé de Minininha, do trombone de Chico de Mourão e do piston de Ernani de Ulisses. Dão de Chico Pedro tocava tenor, mas a orquestra dele era mais sofisticada, a de Manoel Marrocos, responsável pela animação no Clube Recreativo Princesense.

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O leitor talvez não saiba, mas já fui músico do conjunto de Zé de Minininha. Os Rebeldes tocavam em Tabira, que fazia o melhor carnaval da região. O conjunto era formado pelo maestro Zé, pelo tenor Zé de Bezeca, eu ia de soprano, Edmilson (Bibiu) Lucena era o cantor,Bicudo Massaroca era o pandeirista, Neguim Goiaba tocava maracas, o nêgo Eronildo ia de bombo e Mitonho de Mourão o baterista.

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Zé hoje tem mais de 70 e está banguelo, mas soube que continua tocando e tocando bem.Zé de Bezeca aposentou-se e botou uma pousada em Porto de Galinhas.Mitonho e Chico tiveram um AVC cada um e recuperam-se em Princesa. Não sei por onde anda Bicudo, mas sei que Eronildo e Goiaba já se foram para o andar de cima.

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Quando me mudei pra João Pessoa e entrei para o Jornal A União, fazia a cobertura do Carnaval do Astréa. Era um belo carnaval. Os dois principais clubes da cidade – Astréa e Cabo Branco – brigavam para ver quem fazia o melhor carnaval. Eu preferia o Astréa.Era mais popular. O pessoal do Cabo Branco, elistista demais,  não fazia o meu tipo.

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Quantos cabaços foram deixados perdidos entre as gramas do Astréa e dentro dos carros estacionados ao redor do clube. Mocinhas saíam do carnaval mulheres feitas,felizes e dispostas a enfrentar novos foliões pela vida afora.

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Veio a fase de Jacumã. Muita folia, muita falta d`água, gente aos montes acampada nas areias, tolêtes boiando nas água do mar, frevo na quadra e quatro dias de cachaça. De Jacumã guardo a boa lembrança da barraca da Galêga e da Budega de Bigu.

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Hoje João Pessoa não tem carnaval. São quatro dias e quatro noites de cemitério. A cidade vive das prévias. Durante a semana anterior ao momo, clubes desfilam pela Epitácio Pessoa até a praia levando de rodo milhares de foliões. Um Cafucu desfila pela cidade velha, carregando, igualmente, verdadeira multidão.

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Nunca fui a Lucena, dizem que é bom mas nunca fui.

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Descobri Bananeiras, em Bananeiras reencontrei os carnavais de antigamente, blocos desfilando ordeiramente pela rua principal, todo mundo se confraternizando e violência zero.

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Claro que lá estarei de novo.

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E agora lá se vão meus abraços para Zé Carlos de Iara, Chico Pinto de Rita, Bibiu de Nélia,Miguezim de Zezé, Ricardo de Dôra, Ramalho de Marta, Ricardo Ramalho de Marcileide, Chianca de Luciana, Barbosinha de Luana e Flavão de Neci.

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Eis que chega um matuto sertanejo com seu filho no aeroporto, para mostrar ao pimpolho o tar do avião... Chega perto um piloto e curioso, o matuto pergunta;

- Quanto é pra dar uma voltinha nesse bicho aí?

O piloto, responde;

- Cinquenta reais.

- Mas cinquenta pra andar nesse aviãozinho sem graça aí, é?! Diz o conterrâneo. Então seu filho, várias vezes por segundo diz;

- Vamu paim, vamu paim...!!!

- O piloto tocado pela criança, diz em tom de desafio para o cabeçudo;

- Vamos fazer assim, eu te levo, mais o pequeno, de graça, porém se você der um suspiro de medo ou gritar, pagará então os cinquenta, concorda?!

Então, concordando, vão-se ele, e o piloto começa a fazer loops, vira o avião de cabeça pra baixo, mergulha, raspa a roda numa árvore, e o cacete, enquanto vigia o sertanejo pelo espelho...

Quando aterrisa, olha pra trás e fala ao passageiro;

- Pô, você não tem medo mesmo hein... Não houve nem uma hora em quis gritar?

O matuto responde;

- Olha, quando o menino caiu eu quase gritei...

 




Comentários realizados

  • 31/01/2016 às 00:53

    Chianca

    Tião, abraço grande, bote a triunfo no congelador que D.Luciana levará o caldinho de bacalhau na segunda de carnaval em Bananeiras. Chianca

  • 30/01/2016 às 07:32

    Valmir gomrs

    Tião cade as defeituosas o blog ta ficando feio sem as belezuras

  • 30/01/2016 às 07:09

    Marcos.

    Carnaval de Jacumã é assim: Falta água, falta energia, sobra muriçoca, lixo e merda na beira da praia. Pense num carnaval arretado.

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