Marcos Maivado Marinho

A morte de Belchior, ao tempo em que desperta a saudade adormecida de milhares de fãs Brasil afora, também tem trazido revelações surpreendentes. E uma delas, certamente a mais bombástica pelo menos para nós paraibanos, mostra que por muito pouco o Governo do Estado - à época administrado por José Maranhão - não botou nas suas mãos a bagatela de R$ 25 milhões para que ele abrisse a filial de uma gravadora de discos em João Pessoa, duvidoso “investimento” abortado graças à conhecida e providencial “mão de vaca” do secretário de Finanças, Soares Nuto.

Quem contou o segredo, via Facebook, foi o jornalista Giovanni Meirelles, então secretário de Comunicação Institucional do Governo e o homem que convenceu Maranhão a avalizar o empreendimento e recepcionar Belchior na Granja Santana (residência oficial) com todas as honras e graças.

Os R$ 25 milhões do contribuinte paraibano para acalentar o desejo do cantor cearense sairiam de uma operação entre o PARAIBAN (falido banco de fomento estadual) e a CINEP (Companhia de Industrialização do Estado da Paraíba), mas o austero Soares Nuto farejando “maracutaia” no negócio pediu a ficha do cantor ao Banco do Nordeste do Brasil (BNB), financiador do polo fonográfico de Caucaia onde Belchior mantinha a matriz da fábrica e, tendo-a suja, fez gorar a operação para o bem da Paraíba.   

Giovanni conta ter-se tornado em 1995 “amigo pessoal” de Belchior, época em que houve a negociação ora revelada. “Seria o Studio Tropical Cameratti, instalado no Altiplano do Cabo Branco, onde existe hoje a Estação Ciência”, recorda avisando que “quem botou obstáculos dizendo que o cadastro da ficha financeira de Belchior tinha problemas foi Dr. José Soares Nuto”.

Todos os contatos para financiamento com o Governo do Estado da Paraíba através da CINEP e PARAIBAN foram feitos por Giovanni Meirelles. “Mas o projeto não evoluiu apesar de ter sido assinado até mesmo um protocolo de intenções na escadaria da Igreja de São Frei Pedro Gonçalves, localizada no Centro Histórico ao lado do Hotel Globo”, recorda o secretário.

O presidente do PARAIBAN era Francisco Canindé e o superintendente da CINEP Edivaldo da Nóbrega. Nuto era secretário das Finanças e Giovanni Meirelles estava na SECOM do Estado.

Com as tratativas adiantadas Giovanni levou o cantor para apresentar o projeto na API (Associação Paraibana de Imprensa), durante um debate noturno, e lá o mesmo foi contestado por Tatá Almeida, que tinha em João Pessoa a propriedade de um estudio similar (Pindorama) com inflamado discurso já que a sua fábrica sobrevivia sem incentivos públicos.

“Depois fomos ao restaurante Gulliver de Paulo Barreto, em Tambaú. Nesse jantar também estavam Carlos Aranha e Gustavo Magno Poptrovador. Junto com Heraldo Nóbrega e Sandra Magaly Ramalho, minha ex-secretária na Secom e atualmente na TV Assembleia, com Vall França e o pessoal da produtora de Natal”, relembra saudoso Giovanni Meirelles.

O curioso é que Giovanni reconhece que o negócio seria uma “furada”, porque Belchior era relapso em se tratando de finanças.

“Ele tinha o perfil desses caras que confundem apurado na bilheteria com lucro em caixa. São coisas diferentes, do ponto de vista financeiro e contábil”, destaca na postagem se dizendo penalizado com o isolamento do cantor.

“Ele administrava mal as finanças e também não tinha um bom empresário para organizar a renda de seus discos, direitos autorais e agenda de shows”, conclui Giovanni.

 




Comentários realizados

  • 05/05/2017 às 15:04

    chico garelli

    Que momento para ressuscitar assunto morto de um artista imortal ! Grande e grave gafe !

Deixe seu Comentário

Seu endereço de e-mail é de preenchimento obrigatório, mas não se preocupe que não publicaremos. Seu comentário será moderado pelo administrador do site e só será divulgado após isso.*

Outras Notícias

Não me dei ao trabalho de publicar qualquer coisa sobre o aparecimento dessas fotos da ex-primeira dama Pamela Bório, onde ela aparece na intimidade da alcova, bem à vontade.... Ler mais

Amigos leitores, estou pensando em tirar férias do blog, deixar de ler notícias e me isolar. Preciso de uma reciclagem para me adaptar aos novos tempos. Ainda vivo o tempo passado,... Ler mais