O JOGO DESCARADO DO ‘TOMA LÁ, DÁ CÁ’


 EDMILSON LUCENA

No contexto eleitoral que estamos entrando, não poderia haver espetáculo mais desligitimador da representação política do que a ação de nossos políticos eleitos pelo voto popular. Isto ao nível local, municipal, ao poder federal, passando pelos Estados. Olhar para a política é ver o descarado jogo do toma lá, dá cá. São as tais regras do jogo político que, por pragmatismo, todos se submetem. Custura de alianças? Que alianças? Para implementar que programa de governos, que leis?

Em todos os Estados e no Governo Federal a hora é de mudanças… para tudo ficar igual. Afinal, o que importa não é a democratização mais substantiva e a ampliação de direitos. O que conta é a perspectiva de manutenção ou de conquista do poder em outubro próximo. Aí é um verdadeiro festival patrimonialista a descoberto. Vejam o diálogo de bastidores – afinal, uma tal política não pode aguentar a transparência –: “Você, dono da legenda tal – ela mesma de um oportunismo nada programático ou ideológico – toma esta secretaria, com tal orçamento (aspecto essencial), nomeia uma penca dos seus e… compõem o palanque dos meus. Ganharemos apoios nas gananciosas corporações, especialmente construtoras, minutos para a propaganda eleitoral e pronto, a eleição é nossa! Depois a gente divide o “botim” do poder, numa composição governamental ampla, com criação de novas secretarias e ministérios, se necessário for, para acomodar todos amigos”…patrimonialistas!

Será que isto pode ser visto com alguma semelhança de democracia efetiva? Será que política democrática precisa ser assim? Não! Definitivamente Não! Mas é assim e só nós podemos mudar tal situação, com o exercício do poder cidadão. Desde agora, nós, eleitores da Paraíba e do Brasil, devemos nos organizar e tirar da política todos os governantes e parlamentares corruptos.

O que mais me angustia nesta conjuntura em que as eleições se avizinham é a ausência de um debate a respeito na nossa mídia. Estamos sendo bombardeados por questões que nos distraem, ao invés de nos fazer pensar como ampliar os espaços de liberdade e de participação, na diversidade do que somos.

O que mais lamento é a absoluta rendição de toda política institucional representativa que temos, quase em distinção, às tais regras do jogo político. Democracia precisa ser assim? A política e a participação cidadã precisam aceitar tais regras como inevitáveis? Comecemos por negar tal legitimidade às regras do patrimonialismo político, dos donos do poder, do silêncio da mídia diante das negociatas do poder e das corporações, da falta de debate das questões que interessam, como segurança, transporte, saúde, educação, entre tantos outros direitos negados.

Até quando vamos aguentar em silêncio? E agora querem controlar o que nos resta, o direito de protestar nas ruas e praças… Mesmo com o risco de ser atropelados por carros de enlouquecidos ou, até, espancados por polícias mal preparadas ou Black Blocs violentos, ou, ainda pior, por milícias que se atribuem o poder de exercer justiça pelas próprias mãos.

Façamos a hora e a vez da cidadania enquanto é tempo. Chega deste toma lá e dá cá da política!

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Sobre Tião Lucena

Sobre Tião Lucena

Tião Lucena, nascido e criado no Sertão, é jornalista desde 1975, tendo começado em A União como repórter e trabalhado em O Norte, no Correio da Paraíba, no Jornal O Momento e no jornal de Agá.

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