MEU ADEUS A JOVENTINO “O NAVALHA DE OURO “

RENA BEZERRA

1
Joventino Chaves de Sousa
Amigo que Deus nos deu,
Há dias vinha sem forças
Pra cumprir o papel seu,
De barbeiro respeitado
Mas hoje foi ao chamado
E a morte lhe acometeu.

2
Por aqui ele viveu
Na sua simplicidade,
Logo cedo descobriu
Sua grande habilidade,
Na tesoura e na navalha
E assim caiu na batalha
Nos ares de outra cidade.

3
Com muita luta e vontade
Joventino foi em frente,
Trabalhando no pesado
Dava duro no batente,
Mas sempre firme e seguro
Só via no seu futuro
Navalha, tesoura e pente.

4
E assim tão de repente
No sudeste do país,
Ele foi fazer o curso
Que sonhou e sempre quis,
Pra trabalhar de barbeiro
Nas aulas sendo o primeiro
Nem parecia aprendiz!

5
Completamente feliz
Encarou a profissão,
De cabeleireiro para
Melhorar a condição,
Trabalhando sem ter falha
Descobriu que era a navalha
Caminho pra redenção.

6
E partiu pra fundação
Da nossa bela Brasília,
Ainda era solteiro
Por la não tinha família,
Ganhou lugar pra morar
Começou a se instalar
Comprando roupa e mobília.

7
Com a navalha em vigília
No descanso Joventino,
Cortava muitos cabelos
De homem, mulher, menino,
Dizendo com toda garba:
-Eu ainda tiro a barba
Do Presidente Juscelino!

8
Confiante que o destino
Iria lhe apresentar,
Fosse mais cedo ou mais tarde
Aquele homem exemplar,
Joventino se expandiu
Na capital do Brasil
E danou-se a trabalhar.

9
Começou a divulgar
Sua arte de barbeiro,
E sendo ele de fato
Bem caprichoso e ligeiro,
Em um minuto mudou
E sua fama se espalhou
No planalto brasileiro.

10
Querendo ser o primeiro
Nesse grande logradouro,
Um dia viu um anúncio
Que era mesmo um tesouro,
Era um grande desafio
Pra saber quem no Brasil
Era o “Navalha de Ouro”.

11
E ele por desaforo
Entrou na competição,
Mas no fundo já sabia
A sua colocação,
Mostrando a arte que tem
No fim não deu pra ninguém
Ele foi o campeão.

12
Por todo aquele rincão
Ele ficou conhecido,
Como” O Navalha de Ouro”
Título muito merecido,
Mas o que ele mais queria
Que sonhava noite e dia
Inda não tinha acontecido.

13
Para não passar batido
E não sofrer o degredo,
Ele foi se preparando
Guardando tudo em segredo,
Que arrumou um pedaço
De lâmina do mesmo aço
Da espada de “Dom Pedo”.

14
E mandou fazer a dedo
Um objeto granfino,
Afiou, depois guardou
Só para um momento fino,
E que era justamente
Barbear o presidente
Da República, Juscelino.

15
Pois não é que Joventino
Barbeou o Presidente!
Pela fama que ele tinha
Por barbear muita gente,
Juscelino ouviu falar
E mandou logo chamar
O barbeiro competente.

16
Bem alegre sorridente
La no Planalto Central,
Joventino trabalhou
Por anos na Capital,
Sendo agora simplesmente
De Juscelino Presidente
O barbeiro oficial.

17
Mas na batida fatal
Que Juscelino morreu,
Nosso Navalha de Ouro
Chocado no que se deu,
Arrumou sua bagagem
E fez de volta a viagem
Pro solo sagrado seu.

18
Em Princesa ele viveu
Muito bem na profissão,
Tirou a barba de muitos
Que buscava a perfeição,
E aonde ele botava
Por todo canto lotava
O espaço do salão.

19
Findou cumprindo a missão
La em Princesa Isabel,
Como Navalha de Ouro
Ganhou diploma e troféu,
Mas agora sem empalho
Deus quis ver seu trabalho
Na barbearia do céu.

 

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Sobre Tião Lucena

Sobre Tião Lucena

Tião Lucena, nascido e criado no Sertão, é jornalista desde 1975, tendo começado em A União como repórter e trabalhado em O Norte, no Correio da Paraíba, no Jornal O Momento e no jornal de Agá.

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