Não pregue a defesa da família se você tem raparigas
Diz a sabedoria popular que não se deve falar de corda em casa de enforcado. Pela mesma lógica, convém não subir ao púlpito da moralidade para pregar a defesa intransigente da família quando, depois do sermão, o pregador troca o figurino e vai fornicar com as raparigas.
Não há aqui censura ao raparigueiro. Cada adulto que cuide de seus desejos, pecados, virtudes e lençóis. Também não há condenação de quem defende abertamente relações múltiplas, poligamia ou qualquer arranjo afetivo consentido entre adultos. Coerência é justamente assumir aquilo que se pratica.
O problema começa quando o sujeito transforma a própria moral em mercadoria para consumo público. De dia, posa de guardião da família; à noite, esquece o discurso no criado-mudo. Condena nos outros aquilo que pratica escondido e ainda pretende dar lições de bons costumes.
Raparigar pode ser uma escolha privada. Fazer da defesa da família um palanque enquanto se mantém uma vida clandestina incompatível com a própria pregação é outra coisa: é hipocrisia.
E a hipocrisia se torna ainda mais grave quando engana pessoas de boa-fé, que acreditam estar seguindo exemplos de virtude.
Ninguém precisa ser santo. Basta não vender santidade falsificada.
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