A última Baratona
Reinou a alegria no enterro de Marcos Pires. Claro, algumas lágrimas furtivas escaparam de olhos mais sensíveis, mas, ao gosto dele, a descontração foi a tônica, a partir da indumentária do morto, vestido com uma camiseta simples e usando óculos de sombra “para não encandear”.
E o frevo acompanhou o cortejo, frevo animado como animadas eram as Baratonas que ele comandava nos carnavais da cidade, com o catabêbo socorrendo os que bebiam além da conta e precisavam de ajuda para chegar em casa.
De estranho mesmo, só o silêncio do morto, logo ele, tão sonoro, tão alegre, dono de uma das risadas mais saborosas e sempre contando causos que deleitavam seus companheiros de andanças e do café na Padaria Bonfim.
Não se sabe com certeza se foi visagem ou ilusão de ótica, mas alguém jurou de pés juntos que lá no muro do cemitério, um pouco distante da cova e da frevança, Bessanger Abrantes foi visto acenando para o amigo e depois os dois saíram em voo razante na direção do horizonte distante, enquanto uma orquestra de seres celestiais tocava Vassourinhas e as anjas dançavam ao redor deles, sob a batuta da maestra Creuza Pires.

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