Terça-feira, 6 de outubro de 2026 Eleições faltam faltam 19 dias para o segundo turno Texto
Opinião

Escapamos fedendo

Eu estava preparando umas mal traçadas linhas sobre Bernardo Guimarães, autor do romance “A escrava Isaura”. Iria contar a vida boêmia (e bota boemia nisso) do escritor quando lembrei que por causa da novela que a Globo produziu com base no livro, quase levávamos uma tremenda surra com amplas possibilidades de irmos parar no xilindró.

A aventura começou quando eu e mãe Leca participamos da maratona de Praga em 11 de maio de 2008. Eu corri fantasiado de Lula e ela de Mariza Letícia. No dia seguinte (12.5) o jornal Folha de São Paulo publicou uma foto nossa.

Já que estávamos famosos, mesmo anonimamente graças às mascaras que usáramos na corrida (se é que vocês me entendem), decidimos comemorar em Budapeste (2 dias de estada) para onde viajamos acompanhados de dois casais paraibanos.

Como vocês estão carecas de saber, na verdade são duas cidades; Buda e Peste. Visitamos Buda primeiro porque as moças estavam loucas para conhecer o castelo onde a Imperatriz Sissi morara. No segundo dia fomos a Peste. À noite decidimos procurar alguma animação naquela tranquilidade e aí a porca começou a torcer o rabo.  É que, antes de sairmos, tomamos no hotel uns bons goles de uma bebida chamada Pálinka, cujo teor alcoólico pode ir até os 80 graus. O frio era a justificativa. Depois de muito andarmos, encontramos um cinema feericamente iluminado com uma multidão à porta. Claro que a malvada da Pálinka nos fez tentar entrar no que era a festa de lançamento de um filme do mais famoso comediante local. Só que era uma festa para convidados especiais. Foi então que um dos gênios do nosso grupo, sabedor que a novela “A escrava Isaura” fizera tanto sucesso na Hungria que os telespectadores de lá promoveram campanhas para arrecadar grana e comprar a alforria de Lucélia Santos, identificou-se como Rubens de Falco, o Leoncio da novela.

Lembrem-se que estávamos em maio de 2008 e as informações via internet eram quase zero. Deu-se então que não somente fomos acolhidos como nos trataram com pompa e circunstância.

Dia seguinte cedo, enquanto colocávamos as malas na Van com destino ao aeroporto, consegui no Business Center do hotel um acesso no computador que me levou ao pânico: Rubens / Leoncio havia falecido 3 meses antes. Vocês já imaginaram se os enormes, parrudos e embriagados húngaros da festa da véspera tivessem sabido disso?

Iria ser cacete até umas horas.

Os artigos de opinião são de responsabilidade de seus autores e não refletem, necessariamente, a opinião do Blog do Tião Lucena.

Sebastião
Sobre o colunista

Sebastião

Ver todos os artigos de Sebastião →

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta matéria.
Seu e-mail não será publicado. Comentários passam por moderação.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Compartilhar
TV do Tião · Shorts

Histórias que a Paraíba não pode esquecer

Os vídeos curtos mais recentes do canal no YouTube. Toque em um vídeo para assistir aqui mesmo.

Link copiado