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Opinião

Honorários em prikito

Tem advogado em Brasília descobrindo, da pior maneira, que nem todo honorário entra na declaração do Imposto de Renda.

Dizem as más línguas — sempre muito bem informadas — que um causídico da capital resolveu modernizar a advocacia. Dinheiro? Pix? Transferência bancária? Nada disso. O doutor passou a aceitar honorários em forma de priquito.

No começo, parecia um excelente negócio. Cliente sem dinheiro aparecia com uma proposta alternativa, e o advogado, sensível às dificuldades econômicas da população, aceitava a permuta.

O problema é que escritório tem aluguel, secretária, telefone, condomínio, cafezinho e anuidade da OAB. E nenhum desses credores aceita priquito como moeda corrente.

A situação foi se agravando. Entrava muito honorário, mas não entrava dinheiro. A contabilidade ficou desesperada. O contador perguntava:

— Doutor, como eu lanço isso?

— Serviços advocatícios.

— E a forma de pagamento?

— In natura.

Agora dizem que o homem está à beira da bancarrota. Trabalhou muito, recebeu bastante e não juntou um tostão.

Fica a lição para a jovem advocacia: diversificar investimentos é importante, mas é recomendável que pelo menos uma parte dos honorários tenha liquidez.

Porque priquito pode até abrir muitas portas.

Só não paga boleto.

Os artigos de opinião são de responsabilidade de seus autores e não refletem, necessariamente, a opinião do Blog do Tião Lucena.

ML
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Miguel Lucena

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