O “Lula lá” é nosso e ninguém toma
Aldo Lopes
Otávio Sitônio criou o slogan que foi publicado
no jornal A União de 26 de novembro de 1988
Semana passada um repórter da Folha (Falha) de São Paulo ligou para a Academia Paraibana de Letras querendo falar com Otávio Sitônio, autor do slogan “Lula lá” e a secretária Tânia forneceu o contato de Ilka Sitônio, a viúva, e esta foi logo dizendo: “Aldo é quem resolve, ligue para ele”. Então me foi passado o contato do repórter e eu, na condição de porta-voz ad hoc do nosso saudoso e genial escritor conterrâneo, liguei duas vezes sem sucesso. Em seguida, a Folha retornou para a Academia e pediu meu número, afirmando que ligaria mais tarde. Até hoje espero esse contato.
De há muito que foi não foi algumas figuras da grande imprensa tocam nesse assunto, remoem, ruminam no sentido animal mesmo. Por volta do mês de março de 2011, surgiu em São Paulo uma polêmica sobre a autoria do tal “Lula lá,” grito de guerra de milhares de eleitores lulo-petistas, empregado no segundo turno da primeira campanha de Lula à presidência, em 1989. A polêmica envolveu a colunista Monica Bergamo, os jornalistas Ricardo Kotscho, Luís Nassif, familiares de Carlito Maia (já falecido) e outros. A data mais antiga apresentada até hoje da publicação do slogan, de acordo com a opinião dos citados jornalistas, é sete de dezembro de 1988, no Jornal do Brasil, Coluna do Zózimo.
Todavia, se o critério para definir a autoria do “Lula lá” for cronológico, conforme asseverou Maurício Maia, filho de Carlito, e a colunista Bergamo insistiu que “não havia documentos para provar a autoria da frase”, obviamente que o autor do “Lula lá” é Otávio Augusto Pereira Sitônio Pinto, tendo em vista que o slogan foi publicado vários dias antes e pela primeira vez no jornal A União, da Paraíba, no dia 26 de novembro de 1988, página dois, com título e arremate de artigo de autoria do paraibano nascido em Princesa Isabel, membro da APL, escritor premiado, poeta e publicitário, autor de Dom Sertão, Dona Seca (ensaio) A Dança do Urubu (contos), Deliciosos (crônicas) e Caminhos de Toboso (poesia), entre outros.
Assim sendo, na condição de brasileiro, democrata, progressista, dou fé de todo o que está escrito nessas poucas linhas, poucas e boas, para que todos saibam, queira a Falha de São Paulo, Mônica Bergamo, Kotscho, e quem mais duvidar, que o “Lula lá” saiu do quengo privilegiado de Otávio Augusto Pereira Sitônio Pinto, que também trabalhou como publicitário e fez a peça de forma pensada, profissionalmente.
Aldo Lopes de Araújo, contista, membro da Academia Paraibana de Letras.
