Sexta-feira, 9 de outubro de 2026 Eleições faltam faltam 16 dias para o segundo turno Texto
Opinião

O pai da escrava Isaura

   Cruzeta. Aliás, cruzeta demais o tal do Bernardo Guimarães, que escreveu “A escrava Isaura”. Foi nomeado Juiz de Órfãos em Catalão (GO), onde chegou em 1852, porém pouco trabalhava. Levava a vida em pescarias, raparigas e cachaça. Após dois anos foi embora, porém voltou em 1861, agora como Juiz municipal. Aumentou a autoridade e a irresponsabilidade.

Tendo chegado ao seu conhecimento que os cinco piores criminosos presos haviam fugido da cadeia com a ajuda dos carcereiros (que juntaram-se aos fugitivos e formaram uma quadrilha para praticar assaltos), ao invés de perseguir o bando mandou soltar todos os demais presidiários alegando que a cadeia estava em péssimas condições. E dedicou-se mais ainda às farras.

Morava num casarão antigo que alugara por preço modico, porém sem um móvel sequer. Foi para lá que levou uma mulata feia, caolha, que mascava fumo o tempo todo, conhecida como Jequitirana e com ela fez vida. Para o casarão mudou-se o “cunhado”, tido como perigoso e os três varavam as noites na cachaça, dormindo sobre jornais, já que na ali não havia camas. Poucos banhos tomavam, usando sempre roupas imundas e amarrotadas.

Fez amizade com o índio Afonso, chefe do mais temido bando de ladrões e assassinos da região, protegidos pelos coronéis locais. Roubavam gado e assaltavam nas estradas, além de matarem por encomenda. Embora Juiz, Bernardo costumava passar dias na casa de Afonso, pescando e bebendo. Afinal, eram amigos. Daí seu romance “O índio Afonso”.

Aumentou as farras com a participação de Roquinho, filho do Coronel Roque, “dono da cidade” e do vigário Luiz Antônio. Não perdiam festas na roça, onde dançavam a catira e bebiam a mais não poder. Numa festa dessas o Padre engravidou Caetaninha e abandonou o filho, que teve um fim trágico, mas essa já é outra história.

Quanto a Bernardo, continuava nas farras até que um dia foi levado pelo comerciante Antônio Paranhos, seu amigo, para uma visita ao Rio de Janeiro. Era um truque armado pelo Presidente de Goiás, companheiro de faculdade dele para afastá-lo do abismo. Lá ficou e com o tempo foi tomando juízo, casando-se e indo morar em Ouro Preto, onde cuidou da sua nova cachaça, a literatura.

Poderia contar muitos estrupícios de Bernardo Guimarães, porém acabou o espaço e encerro registrando sua morte aos 59 anos.

Os artigos de opinião são de responsabilidade de seus autores e não refletem, necessariamente, a opinião do Blog do Tião Lucena.

Sebastião
Sobre o colunista

Sebastião

Ver todos os artigos de Sebastião →

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta matéria.
Seu e-mail não será publicado. Comentários passam por moderação.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Compartilhar
TV do Tião · Shorts

Histórias que a Paraíba não pode esquecer

Os vídeos curtos mais recentes do canal no YouTube. Toque em um vídeo para assistir aqui mesmo.

Link copiado