Porque hoje é sábado
1 – Aos sábados a reportagem de A União era toda feita na base da suite, sistema de notícias requentadas ou atualizadas que falavam de acontecidos e de coisas prestes a acontecer.
2 – Eu sentava diante da máquina e tacava o dedo. Terminava pelas 11 horas e entregava o material para Frutuoso remeter à redação que ficava no Distrito Industrial.
3 – Dali saíamos para as tertúlias etílicas. Frutuoso não acompanhava. Minto, umas duas vezes foi com a gente ao La Veritá, um restaurante que ficava em frente à API. Ali comeu um bife e bebeu cerveja. Com a devida moderação, convém frisar.
4 – Chico Pinto sempre me levava à perdição. A gente sabia que começava, não tinha ideia do término. Muitas vezes abraçávamos a noite e só lembrava de casa quando se anunciava a madrugada. Éramos solteiros, a mulher sequer ostentava a aliança de noivado, por isso tanta liberdade.
5 – Nosso roteiro sempre iniciava no Bar da API com Moura vendendo fiado e cobrando no final do mês. De lá íamos ao Pietros ou Flor da Paraíba, o Bar da Fava da 13 de Maio vinha em seguida e perto do almoço o Grande Ponto de Seu João., que funcionava por detrás da Embratel, no Cordão Encarnado.
6 – Seu João era uma figura, amigo de todos e por isso fornecedor a crédito das cervejas e cachaças entornadas pela turma. Faliu de tanto vender fiado.
7 – Fundaram um bar chamado Woodstock próximo a antiga Rádio Tabajara, virou o point de jornalistas e intelectuais. Esse bar a gente desmanchou numa briga que começou com Chico Pinto e envolveu jornalistas de A União, de O Norte e de várias emissoras de rádio.
8 – Já era noite, o dia passou ligeiro, fomos beber a saideira que nunca terminava, de repente Chico Pinto levantou-se e foi à mesa ocupada por rapazes da Universidade cobrar um livro que emprestara a um deles. O rapaz não gostou, levantou-se e chamou Pinto para os finalmentes. Corri até lá, contemporizei, disse ao rapaz que não precisava briga, o sujeito me respondeu com uma joelhada no ovo. Perdi a serenidade, entrei no fuá, todos entraram, Góes, o fotógrafo, correu de lá todo assanhado e mostrou suas habilidades com os punhos, Júlio Santana quebrou uma mesa de plástico nas costas de Jackson Bandeira pensando que estava se defrontando com um dos rapazes agressores, cadeiras voaram, pratos se espatifaram, foi uma verdadeira zorra.
9 – E o pobre do dono, com as mãos na cabeça, pedindo calma, implorando para não quebrarem o seu bar. Não lembro como terminou, só sei que o Woodstock numa mais foi o mesmo depois daquela guerra de murros, puxões de cabelos, cadeiras voando e mesas quebradas
10 – Inesquecível mesmo foi a visita de Franto Júnior ao banheiro do Grande Ponto. Nosso radialista sertanejo levou uma massaroca de jornais para o serviço, demorou o quanto foi necessário e ao retornar, todo ensacado, mostrava a parte traseira da camisa saindo das calças e, nela, a impressão digital do cu.
11 – A história prossegue sábado, pois agora é hora de mandar os abraços sabadais para Tenório Carvalho, Marcos Malvado Marinho, Geovaldo Carvalho, Josué Cardoso, João Evangelista, Evandro Nóbrega, João Pinto, Leila Oliveira, Marden Góes, Gilson Souto Maior, Kubi Pinheiro, Nonato Guedes, Tico Pinto, Zé Euflávio, Edson Werber, Júlio César Ramalho, Josemar Pontes, Gonzaga Rodrigues, Abelardinho Jurema e Antônio Malvino.
12 – Depois de perder a eleição de vice-governador, o ex-deputado Evaldo Gonçalves passou a ser alvo da preocupação de seus colegas do PFL, que tentavam de todo jeito encontrar um bico na administração federal para empregar o ex-parlamentar.
Depois de muito procurarem, descobriram que, na Paraíba, havia a vaga de diretor do Ibama. Eufóricos, foram até Gonçalves e lhe ofereceram o cargo. Evaldo, de pronto, recusou. E diante do espanto dos seus colegas, justificou a recusa:
-Amigo velho, não tenho mais idade para andar atrás de caçador de rolinhas.
