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Nando Reis cancelado pelo bolsonarismo pessoense

28 de julho de 2022

 

Por: Aldo Ribeiro – economista e progressista

 

Em linhas gerais a definição de Síndrome de Estocolmo pode ser descrita como casos em que a vítima de agressão, sequestro ou abuso, desenvolve uma espécie de ligação sentimental ou empatia por seu aproveitador. O bolsonarismo certamente deriva dessa síndrome. Sobretudo a parcela menos favorecida. Falo disso, pra chegar em João Pessoa, cidade que em 2018 deu 228.710 dos votos válidos, correspondente a 54,80% dos eleitores. E que por conseguinte demonstra o tamanho do retrocesso político e comportamental pelo qual a cidade passou nesses últimos anos, embora seja notória a diminuição dessa parcela de mentes sequestradas. Mas que ainda causa repulsa e indignação.

Essa semana, passei na Gouveia Nóbrega, aquela descida acentuada de quem passa na frente do Parque Arruda Câmara sentido rodoviária, e logo após a Oficina São Pedro me deparo com um outdoor de promoção de um show do Humberto Gessinger e do Nando Reis, que acontecerá no próximo dia 12 numa famosa casa de espetáculos da cidade. Até aí tudo bem, apenas mais um desses poluidores visuais das grandes cidades. Só que me chamou a atenção o fato de que a imagem do Nando no outdoor está rasgada. Totalmente destruída. Me perguntei por qual motivo logo aqui em João Pessoa, alguém rasgaria a imagem de um artista tão querido e talentoso como o Nando Reis. Que força oculta teria uma ideia tão escrota? Parabéns pra quem pensou em algum bolsonarista xiita que por ali passava, e lembrou que o Nando se manifestou dias atrás com um sonoro “fora Bolsonaro”, sendo foi aplaudido e vaiado pelo público que assistia seu show. Atitude corajosa do eterno titã.

Trata-se de um evento leve, diante das barbaridades que já vimos e vivenciamos, e do que provavelmente virá nesses próximos meses. Mas muito sintomático e revelador. De como infelizmente uma parcela do cidadão comum da cidade teve sua mente sequestrada por essa Síndrome de Estocolmo vitaminada.

O Gessinger, muito reservado, também já declarou sua preferência pelo campo progressista e até fez um “L” num show recente em Natal. Talvez por sua discrição sua imagem tenha sido preservada.

O mais importante disso tudo, é termos o entendimento do tamanho do nosso desafio. Do quanto é necessário elegermos não somente o Lula, mas também os políticos comprometidos com um projeto de renascimento do Brasil. Bolsonaro cairá, pagará por seus crimes. Mas o bolsonarismo permanecerá. Recuperar as mentes sequestradas, reocupar os espaços perdidos por igrejas pentecostais, criar um diálogo permanente com os movimentos sociais, mas com os pés no chão. Não dos gabinetes climatizados da burocracia.

“Foi o fim de uma viagem, e o guia estava errado. Mas há estrelas atrás das nuvens no céu da pátria nesse instante.”

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