O bajulador
Antes do primeiro turno, Lula era um leproso necrosado. Poucos se encostaram nele. E quando falo poucos, me refiro aos chamados políticos profissionais, porque o povão, o eleitor, aquele que vota de graça e ainda se declara ao candidato, continuava acreditando no petista.
Flávio Bolsonaro avançava, ia ganhar, todo mundo achava isso, eu mesmo tremia de medo, tremi até o fim, por que negar?
Eu juro que só via empenho de Ricardo Coutinho, Veneziano, Lucas Ribeiro e Adriano Galdino. Os outros faziam meia boca, davam uma no cravo e outro na ferradura.
Bastou, porém, a sagração no segundo turno para aparecerem os amigos íntimos do presidente.
Até uma ilustre desconhecida aqui da Paraíba apareceu fazendo loa em Brasília, recitando versos de pé quebrado, se fazendo de engraçada.
É sempre assim, enquanto a onça está viva, a maioria se esconde, quando a onça morre, todo mundo quer ficar perto para aparecer no retrato.
E o mais chato é que a autoridade gosta disso, adora uma bajulação, se derrete toda quando se depara com o chupa ovo.
Até lembrei daquele caso de finado Damásio Franca. Prefeito várias vezes de João Pessoa, chegou um dia ao ostracismo e o seu bajulador mor afastou-se. Jurou que se um dia voltasse ao poder, o dito cujo não teria vez. Voltou com Burity em 78. No dia da posse, lá estava o lépido e fagueiro “assessor”, de sorriso largo, mãos macias, jeito de arrumador de coisas boas.
- Meu chefe preferido, o senhor continua lindo. Vai derreter corações em fila indiana -, cochichou na hora do abraço.
E finado Damásio, finalmente rendido, olhou para Toinho Cachimbo Eterno e reconheceu:
- Desse jeito, não tem jeito que dê jeito.

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