
A disputa eleitoral na Paraíba ganhou um novo e explosivo capítulo. A coligação Juntos Para a Paraíba Dar o Próximo Passo ajuizou uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) perante o Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba envolvendo os nomes de Nabor Wanderley da Nóbrega Filho, Daniella Ribeiro, Renato Costa Feliciano e Hugo Motta.
Na ação, a coligação sustenta a existência de elementos que, em sua avaliação, justificariam uma investigação por suposto abuso do poder econômico e captação ilícita de recursos, além de pedir tutela cautelar de urgência. As acusações, é importante ressaltar, constituem alegações da parte autora e ainda precisam ser submetidas ao contraditório, à defesa dos investigados e à apreciação da Justiça Eleitoral.
O processo coloca no centro da discussão eleitoral paraibana um personagem que há meses ocupa as manchetes nacionais: Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
O celular de Vorcaro entra em cena
A petição relata que, em 18 de novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, investigação relacionada a suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master e operações de cessão de carteiras de crédito ao BRB.
Esse ponto possui confirmação independente: a Polícia Federal deflagrou a primeira fase da Compliance Zero em novembro de 2025, e seu diretor-geral informou na época que as suspeitas investigadas alcançavam aproximadamente R$ 12 bilhões. As investigações apontavam para a criação de carteiras de crédito sem lastro posteriormente negociadas com o BRB.
Mas é outro elemento que ganha destaque na ação eleitoral: o telefone celular de Daniel Vorcaro apreendido pela Polícia Federal.
Segundo a petição apresentada pela coligação, o aparelho seria um iPhone 17 Pro e teria sido formalmente apreendido durante as diligências. O conteúdo desse celular tornou-se objeto de interesse das investigações relacionadas ao caso Master.
A importância do aparelho não é apenas retórica. Em setembro de 2026, foi noticiado que ministros do Supremo Tribunal Federal solicitaram auxílio técnico da Polícia Federal para acessar cópia dos dados extraídos do celular de Vorcaro. Segundo a reportagem, o material alcançaria aproximadamente 500 GB de dados.
Da investigação financeira para a disputa eleitoral
É justamente nesse ponto que a ação apresentada ao TRE-PB procura estabelecer uma conexão entre o escândalo financeiro nacional e as eleições paraibanas de 2026.
A coligação autora pede que a Justiça Eleitoral investigue Nabor Wanderley, candidato ao Senado; Daniella Ribeiro e Renato Feliciano, indicados na petição como integrantes da chapa majoritária; e o deputado federal Hugo Motta, candidato à reeleição.
A iniciativa judicial invoca dispositivos da Constituição Federal, da Lei das Inelegibilidades e da Lei das Eleições relativos a abuso de poder econômico, arrecadação ou gastos eleitorais ilícitos e captação ilícita de sufrágio.
Isso, por si só, não significa que os citados tenham praticado qualquer irregularidade. A AIJE é o instrumento pelo qual as acusações apresentadas serão examinadas pela Justiça Eleitoral, com produção de provas e direito de defesa.
Um processo que pode ter grande repercussão
O caso ganha dimensão política porque ocorre em plena campanha eleitoral e envolve candidatos a alguns dos principais cargos disputados na Paraíba.
A questão central agora será saber quais provas concretas a coligação apresenta para sustentar as acusações e qual relação pretende demonstrar entre os investigados e os fatos apurados no caso Banco Master.
Também será fundamental conhecer a manifestação de Nabor Wanderley, Daniella Ribeiro, Renato Feliciano e Hugo Motta. As defesas poderão contestar os fatos, a validade das provas, a competência da Justiça Eleitoral e a própria existência de qualquer vínculo entre as investigações do Banco Master e a campanha eleitoral.
Portanto, o simples ajuizamento da ação não autoriza antecipar culpa nem resultado.
Mas uma coisa já está posta: o caso Banco Master, que começou como uma investigação sobre operações financeiras bilionárias, acaba de entrar oficialmente no campo da batalha judicial eleitoral da Paraíba.
E o celular apreendido de Daniel Vorcaro poderá ocupar lugar importante nessa discussão, caso o conteúdo mencionado pela parte autora seja admitido pela Justiça e efetivamente demonstre fatos relevantes para o processo.
Agora, a palavra está com o TRE da Paraíba.
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