Conheci Chico Franca num dos piores momentos da minha vida. O salário apertado, o chefe perseguindo, já tinha vendido o carro ao gerente do banco para cobrir o cheque especial estourado, em resumo: estava lascado do primeiro ao quinto.
Voltava do trabalho pelas cinco da tarde dirigindo meu fiat 147 com cinco anos de uso, quando o telefone tocou. Do outro lado da linha, o jornalista Sebastião Barbosa perguntava onde eu estava.
- Dirigindo para casa -, respondi.
Barbosa interrompeu o percurso:
- Venha para a Catedral, o prefeito Chico Franca quer falar com você.
Fui. Não sabia o que ele queria, coisa ruim não seria, não convivíamos mas não havia rusga entre nós. E mesmo que houvesse, a ele caberia o caminho do Judiciário, como outros o fizeram.
Cheguei, fui apresentado ao prefeito, que me convidou para entrar no seu carro e, lá dentro, tascou o convite:
- Aceita ser meu secretário de Comunicação?
Quase caí de costas, aliás não caí porque o encosto do banco não permitiu. Aceitei na hora. Mas fui movido pela curiosidade:
- Assim, sem padrinho, sem QI (quem indica)?
Chico disse que se tratava de uma escolha pessoal e, já que eu tinha aceitado, recomendou ao motorista que seguisse para o Cassino da Lagoa onde se daria a comemoração.
Dali até o fim do mandato estivemos juntos, discutíamos problemas, buscávamos soluções, ele aceitava ponderações, revelou-se um líder que sabia ouvir.
E de lá para cá ficamos companheiros de Procuradoria e da vida.
Chico foi a mão amiga que segurou a minha mão carente num momento de muita precisão.
E hoje, por ser o seu aniversário, torno público esse testemunho para exaltar um homem de bem, um marido arretado, um pai que se doa aos filhos, um avô apaixonado.
Parabéns, Chico, estamos juntos e misturados até o fim da linha.




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