Cícero Lucena tem razão com relação ao cipó, planta rasteira do sertão de cujo caule se tira a embira que serve para amarrar carga, fazer cama para o matuto dormir, tecer balaios para guardar a feira e, em muitos casos, se transformar em chibata para dar surra em cabra ruim.
Lembro no meu mais recente livro o caso da minha avó Maria que, varando o mato denso durante a noite para chegar na cidade antes dos policiais que levavam meu avô preso, deparou-se com um cipó no emaranhado de galhos e o torou com os dentes. Só depois de cuspir fora os restos da mordida descobriu que mordera uma cobra de cipó.
O cipó enverga, mas não quebra. Para torá-lo tem que serrar ou cortar com faca afiada. Os pescadores de açudes amarram suas balsas de troncos de agave com cipó de jucá, o mais forte entre os fortíssimos.
Cícero é de São José de Piranhas, conhece as manhas do matuto. E ao se valer do cipó não está querendo mostrar valentia, pelo contrário, está resgatando uma das tradições mais antigas do nosso interior, infelizmente ignorada por aqueles que só tiveram o asfalto e as piscinas como recreio.




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