1 – Trava-se no Brasil uma guerra ideológica entre esquerda e direita. Ambas se dizem purificadas, uma bota defeito na outra, no meio do fuzuê os inocentes úteis sacam as armas e se matam. Irmão se intriga com irmão, primo com prima, pai com filho, filho com pai. Dia desses um cunhado me chamou de velho fofoqueiro somente porque deixei escapar uma lera que feria de morte a prefeita, sua aliada.
2 – Os grandes, ao contrário, brigam com o olhar fixo no objetivo. São os únicos que se dão bem na guerra, levam vantagem, auferem lucros e, ao final da peleja, ficam com as sobras.
3 – E quando chegam ao poder, cuidam da igrejinha que forma seu apostolado. Ninguém de fora entra, os forasteiros servem para votar, não têm direito ao bem bom.
4 – O mais engraçado é ver os esquerdistas de hoje abraçados aos direitistas de ontem e vice-versa. A ideologia desse povo é do tamanho das conveniências. Quem está na direita hoje era esquerda anteontem. Aqui na Paraíba os exemplos são recentes, fulano era esquerda em Santa Rita, mas em João Pessoa, hoje, tem que ser direitista para ficar com o legado do Jair.
5 – Nessa Torre de Babel escapa o Doutor Nulo, único candidato coerente, de uma só conversa, de um lado só. Esse merece respeito e voto, nele estou propenso a votar, até porque a lei já me desobriga do dever cívico de ir às urnas, vou se quiser, se não quiser fico em casa tomando uma com tira-gosto de piaba.
6 – Hoje estivemos reunidos na República do Zé Américo para, entre uma garfada de cuscuz e uma mordida no bode, falarmos das coisas lá de nós. E um dos temas abordados foi a descaracterização da história de nossa terrinha natal, Princesa.
7 – A mais nova descaracterização aconteceu com a transferência do centenário colégio Nossa Senhora do Bom Conselho para a periferia da cidade. Simplesmente levaram o Bom Conselho para o além paredão do açude, para bem depois do cabaré de Estrela, para o Alto da Cascavel, lá nos cafundós.
8 – Alega-se que a transferência ocorreu porque o Governo construiu uma escola modelo na entrada da cidade e essa escola passou a se chamar Bom Conselho. Puro exercício de burrice, porque a tal escola poderia receber o nome de Pixuita, de Antônio Coxim, de Zé Lambreta ou de Teté Passarinho, funcionaria do mesmo jeito e o Bom Conselho de tantas histórias permaneceria onde sempre permaneceu, guardando memórias, lembranças e muitas saudades.
9 – Não está distante o dia em que Zé Pereira será cultuado pela história na Rua da Lapa, na pisada que vai, isso acontecerá mais dia, menos dia, quem duvidar que reserve seu lugar no camarote e aguarde o desenrolar dos acontecimentos.
10 – A guerra do oriente médio ainda não chegou por aqui, mas vai chegar. E do jeito mais agressivo, atingindo o bolso de quem não tem nada a ver com a encrenca. Já soube notícias de alta da gasolina em postos do Valentina.
11 – E agora lá se vão meus abraços sabadais para Tadeu Florêncio, Manoel Arnóbio, Gaudêncio Cabral, Marcos Burrego, Emanuel Arruda, Paulo Josafá. Gilson Kumamoto, Abelardo Fernandes de Almeida, Dinalvo Carlos, Richomer Barros, 1berto de Almeida, Aldo Lopes de Araújo, Sales Fernandes, Fernando Caldeira, Inaldo Leitão, Eilzo Matos, Maguila de Bananeiras, Marco Antônio Gouveia de Morais e Nonato Guedes.
12 – Em Patos residiu, há muitos anos, um caboclo chamado Chico Mendonça. Magro, baixinho, mas dono de um “documento” aloprado. Grande, descomunal mesmo, o “documento” de Chico era falado até mesmo nas cidades vizinhas.
Uma manhã, pescando no Açude Jatobá de Patos, Chico resolveu tomar banho. Tirou a roupa, entrou com a água pela cintura, segurou a estrovenga e começou a lavá-la com desmedido carinho. Uma mulher passava pelo paredão e ao ver a cena, alarmou:
- Seu Chico, cuidado! Essa água aí é funda e o menino pode se afogar.




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