opinião

Motel Calango na Marcha dos Prefeitos

19 de maio de 2026


Miguel Lucena

Brasília virou um grande balcão de negócios durante a 27ª Marcha dos Prefeitos, que ainda movimenta a capital federal até quinta-feira. Mais de 14 mil participantes circulam pela cidade entre prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, secretários e assessores, numa procissão republicana movida a emendas, cafezinho, lobby e promessas de verbas. Mas há também quem enxergue na marcha outro tipo de oportunidade.
Jessicleide veio de Goiás certa de que pisaria em solo fértil. Fechou parceria com a famosa boate Paradise, no Setor Hoteleiro Sul, apostando que os prefeitos chegariam mais animados do que licitação em ano eleitoral. Só não contava com a chuva. O teto cedeu, os canos estouraram e a boate virou um açude iluminado por neon e fio desencapado.
Desolada diante do “puteiro aquático”, ela precisou improvisar. “Vamos tocaiar os prefeitos na saída do Centro Internacional de Convenções. Se der, coisamos ali mesmo nos matos do Setor de Clubes”, resignou-se.
Segundo Jessicleide, político em marcha chega em Brasília “mais seco do que língua de papagaio”. E, no fundo, talvez parte daquela multidão ainda hospedada na capital não esteja atrás apenas de recursos federais. Afinal, em certas noites de Brasília, até o desejo entra no orçamento secreto.

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