
Iodex saiu de linha, procurei-a nas farmácias e me disseram que o laboratório decretou a sua descontinuidade.
Eu protestei, claro.
Iodex foi o primor dos jogadores mirins do Cancão. Miguezim conta como Dió quase foi à falência comprando o produto na farmácia de Edezel para curar os machucados dos jogadores.
E era viciante. A turma só jogava depois de passar Iodex nas canelas, o que fazia Dió reclamar, com justificadas razões:
Os minino só quer saber de Iodek. Assim também é demais!
A pomada era tão forte que desinchava junta de cavalo. Aliás, segundo os entendidos, a sua primeira concepção foi para os de quatro patas. Alguém disse: “Se cura cavalo, cura gente”. E passou a curar gente. O laboratório cresceu os olhos, passou a fabricar Iodex para humanos, deu certo, o cheiro dela era igual ao cheiro da original, os efeitos idem, virou epidemia, os concorrentes lançaram similares no mercado, o mundo girou e agora vem a informação que deixou meu coração repleto de tristeza: “Iodex saiu de linha”.
Como saíram tantos outros companheiros de infância e juventude, aqueles que curavam dordóias nos olhos, dores de cabeça, febre, tosse, gripe, desarranjo intestinal e espinhela caída.
E lá se foram Veramon, Fontol, Cibazol, Cibalena, Melhoral, Fosfosol, Regulador Xavier, Óleo de Rícino, Anapyon, Methiolate, Biotônico Fontoura, Elixir Paregórico, Anador, Emplastro Sabiá e Leite de Magnésia de Philips, este último tão antigo que Fulgêncio, cria de dona Irene lá em Princesa, respondia sempre, quando lhe perguntavam quais remédios usava: – Leite de Madogéza e comprimido Sanrisal.”
Mas eu continuo sentindo falta da Iodex. Como vou tirar essa dor renitente abaixo da bunda sem ajuda da milagrosa companheira de tantas infâncias?




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