Já que estamos em plena campanha política, vamos falar delas, mas das boas campanhas, dos discursos inesquecíveis, das atitudes que ficaram gravadas na história:
1 – Uma multidão estava concentrada na Lagoa do Parque Solon de Lucena participando do comício promovido por Jânio Quadros, candidato à Presidência da República.
Na hora em que Jânio começou a falar, alguém soltou um buscapé. Foi um pânico geral, milhares de pessoas correndo. Raymundo Asfora, que também participava do comício, tomou o microfone do orador e gritou:
- Começa a provocação. É fogo baixo do Governo. Não sei como brinca com fogo quem tem lã.
Referia-se a Ruy Carneiro.
2 – Severino Cabral, eterno prefeito de Campina Grande, seguiu o conselho dos assessores para se referir, nos comícios, ao máximo possível de interlocutores. E assim o fez durante a inauguração de um cemitério num distrito de Campina Grande:
- Conterrâneos e subterrâneos!
3 – Na eleição de 1986, Wilson Braga era candidato a senador e em um comício em Pombal um orador começou a elogiar demais. Que tinha sido o melhor governador da Paraíba, tinha o Projeto Canaã, o melhor para o funcionalismo público e etc… quando em dado momento um gaiato gritou do meio do povo:
- Dá o rabo a ele!
O orador olhou para Wilson e perguntou:
- Eu respondo, Wilson?
Ao receber o consentimento do governador, o locutor não contou conversa:
- Eu como o seu e o dele.
Foi aí que Wilson Braga se apressou em corrigir:
- Peraí, assim não!
4 – Num comício na cidade de Patos, João Agripino caiu na besteira de facultar a palavra. O vereador Rui Gouveia, emedebista roxo (João era da Arena), gritou lá do meio do povo:
- Governador, comentam por aqui que o senhor tem duas mulheres. É verdade?
João, sem alterar a voz, contra argumentou:
- Seria feio se dissessem que a mulher do governador tem dois maridos.
5 – Os aliados de Zé Américo em Campina Grande estavam tensos porque os adversários prometiam acabar com o comício que seu grupo ia fazer na cidade. Quando Zé Américo estava falando, surgiu um tumulto no meio da multidão.
Alguém observou:
-É Pedro Sabino, ministro…
E Zé Américo:
-Pedro Sabino, que meu chefe de Polícia, Romulo Rangel, meteu na cadeia como desordeiro…
O assessor o interrompeu de novo:
-Não, doutor, não é Pedro Sabino, é Roldão Mangueira.
-Roldão Mangueira? Ah, ele não me perdoa por ter criado o Corpo de Bombeiros em Campina Grande.
Os inimigos de Roldão Mangueira o acusavam de provocar incêndios em seus depósitos de algodão para receber o segundo.
6 – Em 2004, o popular Zeca Boca de Bacia candidatou-se a vereador e ao encontrar Ronaldo Cunha Lima, anunciou:
-Poeta, sou candidato a vereador e quero contar com o senhor.
-Pois não, Zeca, o que é que tá faltando? -indagou Ronaldo.
E Zeca:
-Eu quero seu apoio.
Ronaldo entregou a bengala que usava para caminhar, avisando:
-Tá aqui o meio apoio, Zeca. Vá em frente!
7 – Contam que em uma das acirradas campanhas políticas municipais em Patos, o grupo liderado pelo ex-governador Ernani Sátyro perdeu as eleições.
Deitado em sua rede, na varanda de casa, onde recebia os amigos, Ernani foi abordado por um correligionário que, sabendo da derrota do grupo, tentou animá-lo:
- Dr. Ernani, nós perdemos, mas perdemos bonito.
No que Ernani, com seu vozeirão, reclamou:
-Amigo velho, pare logo com isso viu??? Porque não existe vitória feia, nem existe derrota bonita, entendeu???
8 -Seu Chico Pereira estava no palanque quando surpreendeu a assessoria da campanha com uma afirmação inusitada: “Aqui em Pombal eu e Paulo Pereira formamos um trio…” O estudante Vicente Cassimiro soprou, corrigindo:
-É dupla, seu Chico, trio são três.
Respondeu o deputado:
-Que besteira!Trem não anda em trio e não é dois?
9 – Ruy Carneiro desembarcou em Soledade para um comício. E, ao ser anunciado como principal orador, saudou:
-Meus amigos e Soledade!
Palmas!
-Fulano de tal, meu abraço…
-Já morreu, doutor, soprou-lhe um vereador da terra.
-Meu prezado amigo fulano de tal…
-Já morreu, senador!
-Minha querida amiga, fulana de tal…
-Foi para o Rio faz dez anos, doutor!
E assim foi acontecendo. O senador chamou 20 nomes e estavam todos mortos ou fora da cidade. Foi então que o senador, para não perder mais eleitores, iniciou propriamente o discurso:
-Amigos vivos e presentes de Soledade!
10 – Edvaldo Motta falava num comício no bairro de São Sebastião,em Patos, quando, tentando dar uma de honesto, num tom de muita seriedade, coisa que ele só possuía para consumo, disse:
-Engano a tudo, menos à minha consciência; Não! A minha consciência não. Prefiro antes dar um tiro no ouvido a enganá-la…
Um gaiato lá do meio da multidão, emendou:
- FOGOOOOO!
11 – E agora lá se vão meus abraços sabadais para Júlio César Ramalho, Edson Vidigal Filho, Venâncio Viana de Medeiros Filho, Vavá da Luz, Tadeu Florêncio, Marcos Burrego, Gaudêncio Cabral, Belarmino , Manoel Arnóbio, Edmilson e Miguel Lucena, Jorge do Detran, Biu da Câmara, Pedro Macedo, Pedro Cirne, Zeca Ricardo Porto, Marcio Murilo da Cunha Ramos, Fred Coutinho, Aluizio Bezerra,Joás de Brito Filho, Abelardinho Jurema, Gilvan de Brito, Zé Euflávio Horácio, Zé Alan Abrantes, Cícero Lima, Ricardo Ramalho e Maguila de Bananeiras.
12 – Na campanha eleitoral de 72, Padre Levi realizou uma passeata de jumentos que repercutiu no país inteiro.
Ia na frente, comandando a passeata, usando uma batina preta, quando alguém gritou:
-Burra preta!
Levantando o braço direito, respondeu:
-Está entre as pernas da mãe, filho de uma puta!




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