Chefes políticos tratam os eleitores como rebanhos, nos seus redutos só entra quem tiver permissão, tem que pedir primeiro e aguardar o sinal verde. Sexta-feira Maria foi proibida de falar na cidade vizinha a Bananeiras porque o prefeito, compromissado e comprometido com outra candidatura, não permitiu sua fala.
Não importa o tamanho da aliança, tem que pedir permissão ao chefe. O eleitor, que elege o chefe local e o de fora, fica só de longe, vendo com os olhos e lambendo com a testa.
E como tem chefete pela Paraíba afora! De todos os jeitos e para todos os gostos.
O mais incrível é a passividade do eleitor, único capaz de destronar reis e apagar príncipes, mas acomodado na subserviência de quem nunca aprendeu a dizer não.
Lembro da vez em que a então primeira dama e presidente da LBA, Glauce Burity, chegou a Tavares para entregar microempresas a pessoas carentes. Era uma ação de governo destinada ao povo. Na hora dos discursos, apareceu a prefeita. Avisei à primeira dama e ela, educadamente, convidou a mandatária para fazer parte da mesa. Os políticos que faziam oposição à prefeita e se achavam no direito exclusivo de recepcionar a mulher do governador, deram a mulesta, ameaçaram romper, não gostaram da gentileza. Ainda bem que na outra ponta estava uma mulher decidida que não se dobrava a chiliques de coronéis meia tigela.
E o clima voltou, agora mais esculhambado, falta um pulso forte para por ordem na casa. Glauce se aposentou, Burity morreu, Ricardo Coutinho tenta voltar à ribalta e a Torre de Babel se instalou, todo mundo fala, dá ordens e ninguém se entende.
E eu falando isso tudo aqui sem ser da minha conta.
Melhor voltar ao meu aperitivo de cachaça com umbu cajá.




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