A mulher que eles não respeitam
Para eles, a mulher é corpo. Não é voz. Não é vontade. Não é direito.
É carne quando desejam. É silêncio quando convém.
Na lancha, o luxo. O champanhe. O relógio caro. E mulheres tratadas como objetos de uma festa em plena pandemia.
Enquanto o povo enterrava seus mortos, havia quem celebrasse a própria impunidade.
Nas denúncias, outras mulheres. Outros encontros. Outras noites. A sombra da guerra. A suspeita do tráfico. A dignidade posta à venda.
E depois, no palanque, a palavra família.
Na igreja, a palavra Deus.
Na campanha, a palavra moral.
Mas onde está a mulher?
A mãe que trabalha. A filha que estuda. A professora que luta. A vítima que denuncia. A trabalhadora que exige igualdade.
Essas não cabem na fantasia de quem confunde poder com posse.
Querem a mulher de joelhos. Nunca de pé.
Querem seu corpo. Não sua liberdade.
Querem sua obediência. Não sua opinião.
Querem decidir sobre seu ventre, seu salário, seu destino.
E ainda se apresentam como defensores da família.
Mas família não é propriedade.
Amor não é submissão.
Desejo não é licença para humilhar.
E mulher não é mercadoria.
Quem não respeita a liberdade de uma mulher não tem autoridade moral para falar em defesa da família.
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