Por Chico Pinto Neto
Longe de mim a ideia de querer menosprezar, desestimular ou, até criticar de forma deisarosa, aqueles que ainda veem a salvação profissional, única e exclusivamente, através de um diploma universitário angariado, hoje em dia, na sua expressiva maioria, através de universidades de fachadas, que insinuam que ensina e o aluno acredita que aprende.
Ao final, só quem leva vantagem são estas instituições que enchem “as burras de dinheira” e, despacham anualmente no mercado trabalho, uma infinidade de profissionais medíocres, incapazes de exercer à altura a “profissão” escolhida.
Somente aqui na Paraíba cerca de 750 médicos são colocados no mercado de trabalho, na sua expressiva maioria, sem qualquer especialização, adquirida através de residência em hospitais capacitados, que aprimoram às suas experiências e lhes oferecem aptidões para exercer o sagrada dever de salvar vidas.
Essas universidades, com poucas excessão, não possuem estruturas mínimas para desenvolver, na prática, a capacidade científica desses novos “profissionais da medicina”.
E quem paga por esse desatino é o pobre paciente que se vê obrigado a entregar o que lhe resta de saúde nas mãos de quem não está habilitado, com maestria, para encontrar uma solução capaz de melhorar, ou até mesmo, descobrir o tipo de enfermidade que o doente enfrenta no momento da consulta.
E, que fique registrado, que não é somente nos cursos medicina que sofre desse tipo de declínio profissional.
Nos cursos de Direito disseminados em todo Brasil, sejam eles federais e/ou particulares, sai alunos sem qualquer tipo de noção naquilo que se propõe a exercer.
O mercantilismo se sobrepõe ao dever de ensinar o que propicia uma demanda de novos bacharéis incapazes de redigir uma petição ou até mesmo um simples habeas-corpus.
No Brasil, apesar de ainda haver vantagem em ter um diploma universitário, observa-se uma série de desafios que tornam as profissões de nível superior menos estáveis e menos valorizadas do que se poderia esperar.
Uma parcela significativa de profissionais com diploma superior acaba ocupando vagas que não exigem formação superior, muitas vezes com salários menores e menor estabilidade.
Vale ressaltar, ainda, que “o “declínio” das profissões de nível superior no Brasil não significa que diplomas perderam todo valor — eles ainda tendem a proporcionar melhores rendimentos e oportunidades relativas.
Porém, há uma mudança estrutural: o mercado está cada vez mais exigente em termos de habilidades específicas, muitos graduados acabam em empregos subqualificados, e há lacunas entre formação e demandas reais. Isso exige repensar políticas educacionais, a relação entre universidades e empresas, e formas de valorizar profissões tradicionalmente menos remuneradas.
O declínio das profissões de nível superior no Brasil é visto a olho nu. Diploma já não garante futuro.
Durante décadas, o diploma universitário foi sinônimo de ascensão social, estabilidade e reconhecimento. No Brasil, formou-se a ideia de que cursar uma faculdade era o caminho seguro para uma vida profissional digna.
Hoje, essa promessa está seriamente abalada.
O país vive um processo silencioso de desvalorização das profissões de nível superior, expresso na queda de salários, na precarização das relações de trabalho e no aumento de profissionais sobrequalificados exercendo funções que não exigem formação universitária.
O problema não está apenas no indivíduo — está no modelo econômico, educacional e institucional.
O acesso ao ensino superior cresceu rapidamente nas últimas décadas, sobretudo por meio de instituições privadas. No entanto, essa expansão não foi acompanhada por:
planejamento de demanda profissional,
políticas industriais e tecnológicas,
integração entre universidades e mercado de trabalho.
Resultado: formam-se milhares de diplomados para um mercado que não cria vagas qualificadas na mesma proporção.
Conforme explica pesquisa do Ipea, “o Brasil gera empregos, mas majoritariamente:
informais,
de baixa produtividade,
mal remunerados,
sem exigência de alta qualificação.
Assim, engenheiros dirigem aplicativos, professores acumulam vínculos precários, jornalistas migram para atividades fora da profissão, advogados disputam honorários aviltados. O diploma existe, mas a função social da profissão se esvazia.
Salários comprimidos e perda de status é uma realidade inconteste. Em muitas áreas tradicionais — educação, comunicação, ciências humanas, artes, direito e até saúde — há:
excesso de profissionais,
baixa remuneração média,
jornadas extensas,
pouco reconhecimento institucional.
O efeito é devastador: jovens endividados, profissionais frustrados e uma sociedade que desperdiça capital intelectual.
Daí vem o falso discurso da “culpa individual”. Costuma-se dizer que “falta qualificação”, “falta esforço” ou “o curso escolhido não tem mercado”.
Esse discurso transfere a responsabilidade estrutural para o indivíduo e ignora a ausência de um projeto nacional de desenvolvimento.
Nenhum país valoriza suas profissões sem:
investimento em ciência, tecnologia e inovação,
fortalecimento do setor produtivo,
valorização do serviço público qualificado,
planejamento educacional de longo prazo.
O declínio das profissões de nível superior produz efeitos profundos:
desestímulo ao estudo,
descrédito na educação,
fuga de cérebros,
empobrecimento cultural e técnico do país.
Uma nação que não valoriza seus profissionais qualificados abre mão do próprio futuro.
O diploma não perdeu seu valor intrínseco. O que está em crise é o ambiente econômico e político que deveria absorver, respeitar e remunerar o conhecimento. Sem corrigir essa distorção, o Brasil continuará formando talentos para a frustração — e não para o desenvolvimento.
Investir em educação sem investir em projeto de país é plantar sem preparar o solo.



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