O escândalo que envolve o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, ganhou um capítulo digno de roteiro policial — e nada elegante para quem pretendia silenciar a imprensa.
Relatórios da Polícia Federal revelaram que Vorcaro teria planejado simular um assalto para agredir o jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo. A ideia era simples no papel e brutal na intenção: transformar uma agressão em um falso roubo para intimidar o profissional que vinha publicando reportagens incômodas sobre os negócios do banco.
Segundo mensagens obtidas pela investigação, o banqueiro chegou a sugerir que aliados colocassem pessoas para seguir o jornalista e organizar o ataque. Em um dos diálogos, a ordem era clara e violenta: queria “dar um pau” no colunista e “quebrar todos os dentes” durante um suposto assalto.
A trama teria sido discutida em um grupo de mensagens chamado “A Turma”, onde integrantes ligados ao empresário monitoravam reportagens e tentavam neutralizar conteúdos negativos sobre o banco.
Tempo Real RJ
O caso veio à tona no contexto das investigações sobre o escândalo do Banco Master, que já envolve suspeitas de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e outros crimes investigados pela Polícia Federal.
A revelação provocou forte reação no meio jornalístico. O jornal O Globo afirmou que repudia qualquer tentativa de intimidar jornalistas e que ataques desse tipo representam uma ameaça direta à liberdade de imprensa.
No fim das contas, o que se vê é mais um episódio em que poder, dinheiro e arrogância parecem acreditar que podem calar a palavra escrita. Mas há uma velha lição na democracia:
quem tenta calar jornalistas costuma acabar falando demais nos autos do processo penal.




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