Por Chico Pinto Neto
Não tive, jamais terei e tampouco pretendo ter qualquer tipo de pretensão ou falsidade intelectual. Apenas me considero, neste espaço da vida, um simples, porém, dedicado e curioso naquilo que acho aproveitável para este momento já um pouco longevo de caminhada, espaço este, que pretendo levar com leveza, discernimento e controle emocional, para aproveitar o que me resta ao lado de quem amo, sejam eles familiares, fraternos amigos e da minha imensurável fé em Deus.
Casualmente, nesta semana, organizando alguns livros espalhados pelo meu apartamento, me deparei com um livro que trata dos princípios confucianos. Desde logo me veio uma enorme curiosidade. E como já havia decidido que neste sábado não iria ao meu encontro semanal, na Livraria do Luiz. Daí passei, mais uma vez, a folhear a obra inconfundível deste imortal pensador chinês cuja sabedoria é universal e se traduz num grande proveito para a humanidade. Daí passei a desenvolver, sem qualquer pretensão, estas poucas linhas que espero que sirvam de análise pessoal ou espiritual dos meus poucos leitores.
Sentindo a importância da sua sabedoria que nos ensina a conviver com paciência, estoicismo e grandeza os momentos difíceis que vivemos nestes dias de tribulação, injustiças e egos inflados, perversos e imagináveis, decidi sintetizar um pouco daquilo que vi proveitoso para mim, e, talvez, para alguns curiosos.
Aqui, ali e alhures o período é de muita angústia e sofrimento. As ditaduras persistem em existir, as guerras são primazias em vez da paz; a corrupção corrói as instituições, grupos de narcotraficantes dominam países e territórios, levando ao vício uma geração inteira, fornecendo drogas pesadas, destruindo famílias e aterrorizando dezenas de comunidades por este país afora.
Voltando ao tema principal, através dos pensamentos de Confúcio, me deparei com aquilo que procurei à vida toda: Paz! Ele, diante da sua sabedoria milenar, nos ensina, através dos seus princípios, a construção da harmonia social.
Em tempos de crise ética, polarização e enfraquecimento dos vínculos sociais, o pensamento de Confúcio revela-se surpreendentemente atual. Longe de ser apenas uma filosofia antiga do Oriente, o confucionismo é um projeto moral de civilização, fundada em ideia de que a ordem social nasce do caráter do indivíduo.
No centro dessa filosofia está “o REN – A HUMANIDADE, a BENEVOLÊNCIA, A EMPATIA”. Para Confúcio, “nenhuma lei, punição ou poder coercitivo é capaz de sustentar uma sociedade justa se os homens não forem, antes de tudo, humanos uns com os outros”, E, segue: “A ética começa no coração e se projeta para o mundo”.
Complementando o REN, ensina que “surge o LI, o respeito às normas, aos ritos, às tradições e às hierarquias legitimas”, Prossegue nos ensinando que “o LI não é formalismo vazio, mas a consciência de que a convivência exige limites, respeito e civilidade”. Acrescenta: Onde o LI desaparece, instala-se a desordem; onde ele é praticado, floresce a harmonia.
Daí vem o YI, “principio da justiça e da retidão, rejeita o oportunismo e o interesse egoísta”. Confúcio ensina que o homem virtuoso não pergunta apenas “o que me beneficia?”, mas “o que é correto?” Trata-se, conforme os seus ensinamentos, “de uma ética do dever moral, não da conveniência”.
Já a sabedoria (ZIH), por sua vez, não se confunde com acúmulo de informações. Ela nasce do estudo, da reflexão e da capacidade de discernir o justo do injusto”. Uma sociedade sábia, diz, “é aquela que valoriza o conhecimento aliado à moral”.
Já o XIN, diz: “a sinceridade e a confiança, é o cimento invisível das relações humanas. Sem confiança, contratos se tornam frágeis, instituições perdem legitimidade e a palavra deixa de ter valor”. Para Confúcio, um governante sem XIN já perdeu o direito de governar.
No entanto, a base de tudo está no XIAO – “a piedade filial”. O respeito aos pais e aos mais velhos não é apenas um valor familiar, mas um exercício moral que prepara o indivíduo para respeitar a comunidade e o Estado, A família, nesse sentido, é a primeira escola ética da sociedade”.
O ideal confuciano se materializa na figura do “JUNZI, o homem virtuoso. Não é um ser perfeito, mas alguém em permanente aperfeiçoamento moral, que lidera, pelo exemplo, não pela força. Para Confúcio, “governar é, antes de tudo, dar testemunho de virtude”.
Em síntese, o confucionismo nos lembra de uma verdade frequentemente esquecida: “não há reforma política sem reforma moral, nem justiça social sem responsabilidade individual. Em um mundo que busca soluções rápidas e externas, Confúcio aponta para dentro –“para o caráter, a ética e o dever”.
Para mim, talvez, seja esse o seu maior legado: pois me ensinou “que a verdadeira revolução começa no comportamento cotidiano de cada pessoa”.
Valeu!
*REN – Significa humanidade, benevolência, compaixão e empatia.
LI – Significa rito, norma, propriedade, decoro.
YI – Significa justiça, retidão moral, correção ética.
ZHI – Significa sabedoria e discernimento moral.
XIN – Significa sinceridade, lealdade, confiança.
XIAO – Significa piedade filial. É o respeito, a obediência, e o cuidado com os pais e ancestrais.
JUNZI – Significa homem virtuoso ou nobre moral.
O confucionismo ensina que uma sociedade justa nasce da humanidade REN, regulada pelo respeito LI, guiada pela justiça YI, iluminada pela sabedoria ZHI, sustentada pela confiança XIN, enraizada na família XIAO e personificada no homem virtuoso JUNZI.




1 Comentário
Dito isto, mesmo bebendo da sabedoria milenar chinesa, como é que Chico Pinto consegue votar e ainda seguir defendendo o condenado do Bolsonaro, que faz tudo ao contrário do que Confúcio nos ensina?