Por Raniery Abrantes
O Nordeste amanheceu em silêncio, não por ausência de som, mas por respeito. As violas recolheram seus ponteios para escutar o eco grave de uma despedida que atravessa gerações. Daudeth Bandeira, artífice do improviso e arquiteto da métrica perfeita, não apenas cantava: ele edificava catedrais de rimas sobre o alicerce da tradição.
Foi bússola do repente, prumo da sextilha, ciência viva da décima bem talhada. Sua voz dominava feiras, praças e auditórios como quem governa o vento: firme, serena, incontestável. Hoje, essa voz se expande além do horizonte humano e se mistura ao infinito, onde a poesia não conhece crepúsculo.
Parte o homem. Permanece a obra. E a cantoria, órfã e agradecida, aprende que há mestres que não morrem, apenas se convertem em eternidade.
Mestre Daudeth Bandeira,
Um doutor da cantoria,
Um gigante da poesia,
Uma lenda verdadeira.
Nobre figura altaneira,
Do litoral ao sertão,
_ Eu gloso com emoção _,
Foi morar na eternidade,
Deixará muita saudade,
O vate da inspiração!
Raniery Abrantes
Poeta



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