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Domingueiras do Tião

1 de fevereiro de 2026

OS TRÊS MOSQUETEIROS

Os três maiores cronistas que tive o privilégio de conhecer foram e são Nathanael Alves, Gonzaga Rodrigues e Luiz Augusto Crispim. Dos três, Gonzaga ainda está no batente, jovem e pulsante, brindando-nos com textos que são mais poemas do que crônicas do cotidiano.

Com os três convivi, com Gonzaga e Nathanael mais amiúde, Crispim escrevia em O Norte, nos víamos, conversávamos, mas com Nathan e Gonzaga o convívio foi mais de perto, no batente da redação.

Meu encontro com Nathanael se deu em A União. Ele e Gonzaga foram dirigir o Jornal no Governo de Burity, Gonzaga ficou com a Direção Técnica, Nathan com a Superintendência.

Chegou o dia de lhe pedir um vale. Estava na pindaíba, a primogênita acabara de nascer e eu sem ter como esperar o fim do mês. O bom Nathanael perguntou de quanto precisava, disse-lhe, ele puxou o talão de cheques, preencheu o valor, entregou-me e disse que era o presente dele para o pai que festejava a chegada da primeira filha.

Mas não é só por isso que homenageio Nathanael Alves. Ele merece o reconhecimento pelo talento, pela independência como redigia os textos e acima de tudo, pelo grande jornalista que foi.

De Crispim posso dizer que me espantava o seu furor literário. O homem era uma máquina. Escrevia uma crônica atrás da outra, nunca lhe faltava assunto. E como escrevia bonito, solto! Voava entre as letras como o passarinho voa entre as árvores colhendo flores para enfeitar o ninho da amada.

De Gonzaga sou suspeito, fomos quase cumplices, sempre seguimos os passos um do outro, ou melhor, eu seguia os seus. Foi assim em A União dele recebendo pautas sensíveis e quase impossíveis e cumprindo-as ao pé da letra, foi assim na Secretaria de Comunicação da Prefeitura, quando o substitui e ele foi tentar uma aventura na política e tem sido assim nos raros encontros que tivemos ao longo dos últimos anos.

Eles três enfeitavam nossas manhãs com suas crônicas e poemas. Isso num tempo em que não havia inteligência artificial e as pessoas escreviam com o coração.

 

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Tenho visto textos novos inundando a internet. Textos longos, assinados por autores que até bem  pouco tempo mal conseguiam alinhavar uma frase. Me contaram que advém da tal Inteligência Artificial. O sujeito dita o tema e a máquina o desenvolve. Daí só precisa assumir a autoria e receber os elogios.

Não se espantem se num futuro bem próximo inventarem a máquina de fazer menino.

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