FEIRA LIVRE
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A feira livre é a última fronteira da democracia. Tentam acabar com ela, ela resiste, se fortalece. É o reencontro dos amigos, paraíso dos biriteiros, estuário das pechinchas. Quem chega lá, não volta com as mãos abanando. Sempre oferece opções aos ricos e aos lisos.
Sou frequentador de feira desde os tempos de antigamente. Quando menino, recolhia as buchadas dos bodes que naqueles idos não entravam no cardápio dos abastados. Eu e a meninada do Cancão fazíamos a festa. Já taludo, integrava o time de Rui da Saelpa, o dos lisos que recolhia as ofertas nas tarimbas de carne verde e as transformava em tira gosto para a meiota generosamente patrocinada por Samuel Medeiros.
E a feira me acompanhou, nela encontrava as cocadas de leite de Manoel Marques, o quebra-queixo de Tio Zé Cazuzão, as frutas cheirando a inverno da Serra do Brejo, as rapaduras dos engenhos do Gavião, o feijão de João Fernandes, a farinha de Lagoa de São João e, finalmente, as cabrochas com cheiro de mato que desciam dos cafundós para nos oferecer amor.
A feira é boa no começo e no final. Quando o dia termina, as promoções atraem os que tinham pouco para comprar muito. O importante é não deixar sobrar. Em Jaguaribe, além de tudo isso, o freguês tem à disposição o famoso churrasquinho de bofe, que deve ser comido ainda quente e crocante. E na Torre, de se registrar a reunião dos amigos na Praça da Alimentação para o incomparável cuscuz com bode e galinha de capoeira, cobiçado pela rafaméia e pela elite bem vestida que desce de Tambaú ávida pelo remédio que cura ressaca e restaura energias.
PETRONIO SOUTO
Foi um dos acontecimentos literários mais comentados dos últimos tempos o lançamento do livro de Petrônio Souto, quinta-feira, na Fundação Casa de José Américo. O velho Petrônio lançou o primeiro de três livros que pretende oferecer ao seu fiel público leitor ainda no decorrer deste ano. O de agora reúne quadrinhas poéticas e outros quitais, verdadeiros quitutes com sabor de quero mais.
LIVRO DE MARIA ANGELA
Zacarias Sitônio era um lorde. Tive a honra de conhecê-lo, de conversar com ele, de beber da sua sabedoria. Um dia ele se foi, todos faremos essa viagem, e agora ressurge pelas mãos da filha Maria Ângela, que nos brinda com “Este Canto é Todo Seu Zacarias Sitônio – Seu Lugar, Sua Gente”, com lançamento agendado para 9 de abril, às 18 horas, no Centro Cultural Energisa, em João Pessoa.
SÃO JOÃO
O São João está às portas e eu questiono: por que misturar nosso legítimo pé de serra com esses cantores do sul do país? Esse povo tem o ano inteiro para azucrinar nossos ouvidos, que no São João perdure os artistas da terra, que cobram cachês mais baratos e representam o nosso povo.




1 Comentário
O texto sobre a feira livre foi primoroso – e ninguém poderia tê-lo escrito tão bem.
Parabéns, ilustre Poeta!
👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏