O tempo não perdoa, passa ligeiro e, quando menos percebemos, estamos ali na fila dos prioritários.
Envelheci, passei dos 74, no final do ano serei aposentado pela compulsória, quanto tempo me resta?
Vejo os desfalques, os amigos que partiram, uns mais jovens, poucos mais velhos. Até me escondo dos encontros que eram tão comuns no passado. Não frequento as rodas de jornalistas, não vou aos almoços, dia desses fui a um e me retirei antes de hora, só tinha caras novas, os do meu tempo não existem mais.
A pergunta que me faço é se vale a pena continuar no batente, pegando brigas, fazendo inimigos.
E relembro o que me disse Abelardinho, repetindo o pai ministro Abelardão: “Já estamos velhos para fazer novos inimigos”.
Um dia estranhei o sumiço de Biu Ramos depois de aposentado. Não escreveu mais, não brigou mais, logo Biu, o mais polêmico de todos.
Agora descubro que ele tinha seus motivos. Não vale a pena, não tem mais tempo, temos que escolher a opção mais amena e aproveitar, por exemplo, esta tarde de domingo, pois a segunda é incerta.
Não se espante, leitor amigo, com o meu silêncio. Ele poderá ser o meu companheiro nesse resto de jornada.
Ele e a bengala que já mandei comprar na Shopee.



3 Comentários
Você ainda tem muita lenha pra queimar
Muita calma nessa hora meu amigo. Precisamos bastante de vc por muito mais tempo nesse mundo de nosso Deus. Abraço fraterno.
Tião, um dia de cada vez fazendo o que a gente sabe e gosta vai valendo à pena! Forte abraço