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O povo calado é um perigo

23 de setembro de 2026

Não sou bom de análise, me apaixono fácil e o analista não pode ter paixão por ninguém. E até pode, mas a esconde de um jeito que ninguém nota. Nonato Guedes nasceu pra ser analista, eu, infelizmente, não nasci com esse dom.

Mas sou enxerido e, nessa condição, me atrevo a dar pitacos sobre assuntos que ficariam melhor analisados por gente como Nonato.

Vejamos a campanha política deste ano aqui na Paraíba. A última pesquisa Quaest deu Veneziano com 18 e Nabor Vanderley com 12. A separá-los, seis pontos percentuais. Mas os escribas dizem que a diferença é pouca, que a coisa está apertada, mais acochada do que furico de jumento. E é aí que minha capacidade analítica fica confusa. Como pode seis pontos ser pouca coisa?

Aliás, segundo a pesquisa, Veneziano cresceu um ponto entre a pesquisa anterior e esta, se cresceu, não diminuiu, e se Nabor também teve crescimento, buscou os votos noutras plagas e não nas plagas do cabeludo.

Se bem que a fila de prefeitos que se  irmanavam com Vené, dele se aproveitavam e durante oito anos encheram as panças, está diminuindo. Eles migram para as bandas do Governo como as arribaçãs migraram da África para as Américas em busca de novos ninhos.

Porém estão indo sozinhos. Parece que o eleitor não tem acompanhado os seus líderes, talvez porque eles, os líderes, cuidaram de arrumar as boquinhas somente para eles e seus apaniguados mais próximos e esqueceram o povão.

Falta pouco tempo, a eleição está bem ali, percebo um povo calado, só aguardando a hora de dar o bote. Surpresas são sempre bem vindas e, ao que parece, nessas zinleições elas, as surpresas, vão deixar muita gente com  a cara de quem comeu e não gostou.

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