1 – Aprendi a gostar de bares quando me punha rapaz. Voltávamos das frentes de trabalho e desembarcávamos no Bar de Luizinho, no Cancão, para tirar a poeira com Serra Grande e muita conversa.
2 – Dali em diante surgiram Bartô, Mirabô, O Bar do Peixe, Zé Brejeiro, Pedro Caboclo, Chico Pedro, Gera, Bar do Cuscuz de Dão Sacristão, Marinex, tudo isso em Princesa. No segundo capítulo de João Pessoa a lembrança me devolve aos anos 70 pelas ruas da Torre onde Raul, Zeca, as Bichas Boas e Malandros aqueciam nossas noites de sábados e domingos, enquanto na semana esse aquecimento se fazia na Fava da 13 de Maio, na API, no Grego, no Grande Ponto, no Woodstock, no Pietros e na Flor da Paraíba.
3 – Depois vieram os periféricos Zezão, Bigode, Renato, Gereba e Teteo, verdadeiras tribunas democráticas onde se debatia política, religião e chifre sem carecer dos estímulos das emendas pix, dos dez por cento e do cadê o meu.
4 – Conversava com um amigo sobre contagioso fenômeno que baixou em importante cidade e tende a se alastrar de norte a sul. Falo dos chifres e da cornelança que agora são tratados como coisas normais e não envergonham mais os que emprestam suas testas para morada dos reluzentes ornamentos que antes faziam deles figuras destacadas no mundo dos discriminados.
5 – Embora naquele tempo existissem os conformados, como aquele diligente comunicador que, ao saber das traições da conje, chorou, revoltou-se e avisou aos colegas de trabalho que voltaria mais cedo para casa em busca de tragédia. Comprou o pão, pegou o bonde, seguiu até a vivenda, chegando lá avistou o carro parado na porta, rumou decidido, pegou no ferrolho do portão e aí divisou, abrindo a grade do terraço, o mulato musculoso, nu da cintura pra cima. Alteando a voz, perguntou:
– Aqui é a casa de Seu Beleleu?
– É sim, por que? – devolveu o mulato.
E Beleleu, jogando o pacote nos peitos do rival, informou:
– Ele mandou entregar o pão.
6 – Amanhã é o aniversário do mano Edmilson, nascido em 2 de fevereiro de 1954 na Princesa dos nossos amores. O Véi Migué e a inesquecível Dona Emília faziam meninos de dois em dois anos, de modo que formávamos a famosa escadinha. Digo formávamos porque o time ficou desfalcado ao longo do caminho, nele já não contamos com Zezão, Galego e Carlinhos, restamos eu, Bibiu e Miguelzinho de masculinos e as meninas Nininha, Dorinha e Neci.
7 – O diligente Tadeu avisa que hoje na Feira do Zé Américo você encontra banana, mamão, goiaba, abacaxi, acerola, abacate, maracujá, manga espada, manga roseli, inhame, limão taiti, limão comum, banana de cozinhar, banana maçã, coco ralado, coco inteiro, mangaba e jaca dura na Barraca de Zé.
8 – Depois todo mundo vai encher o bucho com cuscuz, arroz de leite, macaxeira, inhame, bode, porco e picado de bode na lanchonete de sempre, com direito ao suco gelado de maracujá e ao café com leite.
9 – Gaudêncio Cabral, o mais esfomeado, come primeiro. E o prato dele é daqueles fundos que se usa para caber mais comida.
10 – Quinze minutos de boa conversa com o culto e inspirado desembargador José Ricardo Porto, meu amigo de adolescência, meu colega de curso, gente fina, simples e arretado.
11 – E lá se vão os abraços sabadais para Chico de Edmundo, Dinalvo Carlos, Zé William Barreto, Alexandre Maia, Joca Fernandes, Marçal Lima Júnior, Francisco Leonidas, Francisco Ferreira, Zé de Arimateia, Messias Pedrosa, Luciano Bernardo, Solon Benevides, Inaldo Leitão, Irapuan Sobral, Zé Euflávio Horácio, Chico Pinto Neto, Chico Franca, Neno de Mirabô e Geraldo Andorinha.
12 – Wilson Braga participava da inauguração de um grupo escolar em Itaporanga. O prefeito, num discurso altamente bajulatório, afirmava:
– Wilson Braga trouxe para nóis o “pogresso”. Tudo que nois temos sai dos zóio do gunvernador.
Um bêbado, no meio da plateia, bradou:
– Então tamos fudido, pois o homem é cego!



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