Miguel Lucena
Chico Malvadeza ouviu nos noticiários a história dos fundos financeiros e entendeu tudo errado. Achou que aqueles homens ricos estavam sendo acusados de “trocar os fundos”, como acontecia na Pedra do Urubu quando ele era menino.
Tragando o pacaia de Arapiraca, lembrava das travessuras enquanto o intelectual Zé de Lourenço tentava explicar a embolada financeira: o fundo Olaf 95 era o único dono do Galo Forte, mas também o único investidor do Hans 95, que por sua vez era o único investidor do Alepo 95, que investia sozinho no Maia 95, que por fim sustentava o Astralo 95 — este, o único investidor do próprio Galo Forte.
Chico coçou a cabeça, desconfiado de tanta volta para chegar ao mesmo lugar.
E, com a sinceridade matuta que nenhum mercado regula, perguntou:
— E quem comia quem nessa história?
Para ele, aquilo não era finança, era só uma suruba com nome estrangeiro.




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