DOMINGUEIRAS DO TIÃO

IMAGENS DO PASSADO

Começar as Domingueiras com essa imagem é, como diz o Cabo Daciolo, uma glória. Imagem do meu tempo de menino, da praça que me viu descalço, sambudo, caminhando pelas suas calçadas e admirando a estátua em corpo inteiro do homem de bigode grande, coisas que o tempo já tinha apagado da retina cansada do menino que envelheceu.

A Praça Epitácio Pessoa ainda existe, a estátua em tamanho grande também. Princesa, que a abriga, continua no mapa. Mas a imagem que esta foto mostra é apenas uma lembrança apagada. Mudaram quase tudo.

 

POESIA DOMINGUEIRA

De Marco de Aurélio, porque o mundo seria mais mundo se todo mundo gostasse de poesia:

O dono desse canto foi-se embora,

quem sabe noutro canto fez morada,

e o traço que deixou nessa pegada

por certo nesse outro se aprimora.

O ocaso dessa casa teve aurora,

durou o quanto pôde na campina,

guardou as suas almas da neblina,

com sombra defendeu do sol a flor,

partiram com certeza sob dor,

premidos pela sina nordestina.

 

ZÉ ANDARILHO

Havia um show em algum lugar da orla marítima. Lá dentro, pessoas bem vestidas aplaudiam o cantor e se deleitavam com as músicas, bebendo vinho.

Lá fora, Zé Andarilho, sentado no seu saco sujo e volumoso, fazia uma pausa na caminhada para desfrutar da festa, embora de longe e ao longe, sem direito a um copo de guaraná.

Teve ao menos direito a foto, tirada pelas lentes sempre vigilantes de 1berto de Almeida.

 

PAULO VIVE

A juventude de Princesa, sem ninguém mandar, sem ninguém pedir, sem ser insuflada por comunistas, direitistas ou esquerdistas, vem prestando sincera e emocionante homenagem à memória do guerrilheiro Paulo Mariano, morto a pouco mais de um mês, pintando nas paredes e muros a frase “PAULO MARIANO VIVE”.

Vive e se perpetua na memória de um povo que ele amou acima de todos os limites.

 

CASAL MIL

Claro que falo de Geordie Filho e Wanderléia Gadi, ele jornalista e advogado, ela delegada valente e destemida, casal que amo e quero bem e que estará, com certeza, no lançamento do meu livro “Nos Tempos de Jornal”, dia 26, na Fazenda Senzala, do meu lindro e cheiroso Vavá da Luz.

 

JOSÉ VITAL, O SERTANEJO

Ele é de Princesa, do Alto dos Bezerra, é dos Barbosa. Foi pra Brasília no tempo da colonização e por lá fez nome, sentou praça, casou e batizou. Hoje vive no planalto central morrendo de saudades da terrinha, lembrando do tempo em que comia preá assado com farinha e tomava cachaça Altiva na budega de Diolindo.

Uma figura altamente mais ou menos.

7 Comentário On DOMINGUEIRAS DO TIÃO

  • Seu Zé, um pobre andarilho que infelizmente parece que não tem família e nem quer ficar em um abrigo. Sempre está na porta de uma Igreja em Tambaú, aquelas senhora bacanas, todas cheirosas, sem nenhum “pecado”ao avista-lo, passa bem longe, ou seja, ninguém se preocupa com mendigos. Hipocrisia pura.

  • Zé Andarilho, que eu conhecia como Sr. João do Saco, foi um dos primeiros “personagens” que conheci
    em João Pessoa, quando aqui cheguei há quase 20 anos. Naquele tempo, eu frequentava a antiga
    ogreja N.Sra. da Conceição, no Cabo Branco, no final da Beira-Rio. Ele estava sempre por lá, recebendo
    a atenção de muitos. Lembro que o maior desafio de participantes do grupo carosmático era tentar
    levá-lo para tomar um banho e trocar o traje habitual. Desafio que, pelo que soube na época, só foi
    vencido uma única vez, e pelo prazo de 24 horas. No dia seguinte, lá estava o João do Saco com os
    antigos trajes. Depois que deixei de frequentar a igreja quase não o vi mais. Um dia, o avistei em
    uma mercearia em Miramar, me aproximei , comprei coisinhas para ele, dei-lhe um trocado para
    as refeições do dia, e aí conversando com os donos da mercearia ,que o conheciam há décadas
    soube um pouco da sua história. Não sei se verdadeira ou não, mas muito intrigante. E também
    me foi revelado o motivo da sua recusa em relação a higiene e troca de roupas. Segundo ele,
    banhado e com roupa limpa não receberia ajuda de ninguém.
    Dias atrás, o encontrei na calçada em frente ao Hotel Tambaú. Passados tantos anos, a aparência
    é a mesma na questão da higiene, no aspecto físico, embora mais envelhecido, continua o mesmo.
    Meu filho, assim como eu anos atrás, também quis assegurar o jantar para ele.
    E eu fiquei me perguntando a razão pela qual ele ainda não foi encaminhado a algum lar para
    idosos.

  • A FAMILIA MARINHO DETONOU MAIS TORPEDO CONTRA OS BOLSONARO.

    MACHETE DO JORNAL O GLOBO: COAF; EX-ASSESSOR DE FLÁVIO BOLSONARO MOVIMENTOU 7 MILHÕES EM 3 ANOS.

    DO JORNALISTA FERNANDO BRITO:

    Artilharia pesada: Queiroz movimentou R$ 7 mi em três anos

    Por Fernando Brito · 20/01/2019

    Haja carro para vender.

    A coluna de Lauro Jardim, em O Globo, noticia que, em 2014 e 2015, a conta bancária do amigo e motorista dos Bolsonaro Fabrício Queiroz serviu de vala para fluírem nada menos que R$ 5, 8 milhões.

    Somados aos R$ 1,2 milhão de 2016, nada menos que R$ 7 milhões de “entra e sai” de dinheiro.

    Dobra a média de movimentação mensal, agora para R$ 200 mil.

    No Governo Bolsonaro, talvez só o ex-banqueiro Paulo Guedes possa se ombrear a isso.

    A história que ficou, agora, totalmente implausível é a do empréstimo de R$ 40 mil do amigo Jair a um Fabrício que se meteu em dificuldades.

    Quem está em dificuldades é o ex-capitão, de viagem marcada para hoje para Davos, onde vai mostrar que está “moralizando o país”.

    Ele e Sérgio Moro, o ex-fiscal do que seriam indícios “consistentes” de corrupção no Governo.

    O “capitão do mato” do capital, eleito sobre o alicerce da indignação da classe média com a corrução está assistindo sem reação ruir aquilo em que se apoiava.

    Achava-se tão forte que poderia reinar com seus fanáticos, sua guarda pretoriana e a “turma da bufunfa”. Com o bispo e sem a Globo.

    Agora, está visivelmente perdido sobre que tipo de acordo poderia ainda fazer para parar o incêndio.

    Fogo é mil vezes mais fácil de acender do que de apagar.

  • Tião eu estou com 53 anos,mas quando leio esses textos recordando tempos passados me parece que tenho bem mais parece que envelheço mais ligeiro a minha avó dizia que a gente chega um tempo em nossa vida que vive somente das lembranças e hoje compreendo o que ela me dizia,olhando esse andarilho me veio a lembrança de Padim azuogue mirancha e tantos outros que deixaram lembranças em nossa memória mesmo que hoje não tenha nem uma rua ou outro logradouro qualquer que nos lembre dessas figuras esquecidas pelos governantes mas vivas em nossas memórias,quando vc vier aqui em Monteiro gostaria muito de lhe conhecrer pessoalmente caro tiao

  • Tião de Deus!

    A lembrança do Zé Andarilho é arretada! Danada de boa! Assim que vi um saco carregando o homem(sic), o Galego, o Serafim, lembrei-me do ótimo Aldo Lopes de Araújo.

    Um dia já bem distante, orientando as nossas histórias pelo Norte, isto é, o finado jornal O Norte, enquanto eu escrevia sobre o nobre Chinelo, personagem meu preferido do meu bairro Jaguaribe, esse princesence bom da gota serena, num texto primoroso, o seu normal, descrevia a comovente história do “homem do saco”.

    Pois é. A festa rolou até o fim e ninguém percebeu, ali sentado, um homem. Ninguém! Sem saber se ele “curtia” mesmo o bom show de Adilson Medeiros ou pedia socorro, apontei-lhe o celular com o cuidado de quem apontava un.. liquidificador, e apertei o gatilho ! Pronto: eis o homem!

    Putabraço! Ótimo domingo!

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Sobre Tião Lucena

Sobre Tião Lucena

Tião Lucena, nascido e criado no Sertão, é jornalista desde 1975, tendo começado em A União como repórter e trabalhado em O Norte, no Correio da Paraíba, no Jornal O Momento e no jornal de Agá.

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