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Domingueiras do Tião

10 de maio de 2026

A MORTE DA MINHA MÃE

Minha mãe morreu sozinha numa enfermaria de hospital. Era domingo, eu a visitava naquele local horroroso do Hospital Edson Ramalho, ela deitada na cama baixa, parecia só o colchão, as mãos amarradas à cama para evitar que caísse, outra camas ao redor, inúmeras, dezenas, todas ocupadas, parecia hospital de campanha em tempos de guerra.

Ela sofreu um AVC violento, durante meses foi cuidada em casa, ficou inquieta, a doença a martirizava, pedia para sentar, pedia para deitar, a irmã Dorinha cuidou dela à exaustão, até que teve o quadro piorado e precisou ser internada.

Aí começou a via crucis. Não havia vaga em hospital público e ela não tinha plano de saúde e nós não tínhamos como bancar um hospital particular. Foi preciso apelar para alguém que tivesse prestígio. Meu irmão era assessor do então governador, pediu a ele uma ajuda para interná-la no hospital do Estado e o governador deu a ordem para colocá-la naquela enfermaria onde a encontrei no último domingo da sua vida.

Minha mãe era conformada com tudo, nunca reclamou de nada, nem quando perdeu o filho mais novo alterou a voz, chorou em silêncio, recolheu-se à sua dor.

E depois daquele domingo fatídico, não abriu mais os olhos, morreu pela madrugada, a encontramos morta na segunda e na própria segunda a enterramos no Santa Catarina, onde se encontra até hoje na companhia dos filhos Valdemir (Galego) e José.

 

CABEDELO NO FANTÁSTICO

A reportagem que o Fantástico exibirá hoje sobre Cabedelo acendeu um alerta grave na Paraíba. A cidade, conhecida por suas praias, pelo porto e pela importância econômica, aparece agora associada ao avanço do crime organizado e à atuação do Comando Vermelho.

Segundo as investigações já divulgadas pela imprensa, o faccionado conhecido como “Fatoka”, apontado como liderança criminosa e atualmente foragido, estaria comandando ações criminosas mesmo à distância, com influência que preocupa autoridades e a população.

Isso não pode ser tratado como algo normal. O povo trabalhador não pode viver com medo dentro da própria cidade. Bandido não pode mandar mais que o Estado.

É preciso uma reação rápida, inteligente e firme das forças de segurança. Polícia Civil, Polícia Federal, Ministério Público, Gaeco e Judiciário precisam atuar de forma integrada para cortar o mal pela raiz: prender lideranças, sufocar financeiramente as facções e devolver tranquilidade às famílias.

O crime organizado cresce quando encontra silêncio, medo e impunidade. E a impunidade é o combustível das facções.

Cabedelo merece ser lembrada pelas suas belezas e pela força do seu povo — e não como território dominado pelo medo. O Estado democrático de Direito não pode baixar a cabeça para criminosos.

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