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Domingueiras do Tião

28 de junho de 2026

ESCRITAS ALEATÓRIAS

Chico Florêncio(FOTO), o mais intelectual dos princesenses, alcançou a fase de nada fazer por obrigação. Sabe escrever, escreve bem, mas só escreve quando quer e sobre o que lhe der vontade. Ele é mais velho do que eu, embora mais conservado. Nunca se deu ao desfrute dos vícios, sempre leu, estudou, nada de noitadas, serestas ao luar ou idas soturnas aos braços pecadores das meninas de Estrela. Por isso é mais conservado, sem rugas e quase sem cabelos brancos.

Mas eu comecei com Chico para dizer que estou ingressando no time. Tem coisa mais chata do que falar sobre assuntos previamente escolhidos? Sai por obrigação, nunca por prazer, o sujeito fica limitado aos aceiros ditados por conveniências nem sempre justas e termina se violentando.

Agora mesmo quero falar sobre o clima, não aquele clima chato da TV, mas o da chuvarada que nos atormenta desde a noite de sexta. Quanta água, meu Deus! Um açude estourou próximo a BR 101 e alagou a estrada, transformou-a num rio, quem vinha do Recife para João Pessoa teve que voltar ou procurar um desvio.

Em Ingá estaria voltando o drama que deixou Vavá da Luz do outro lado do rio. E em Bananeiras meu amigo Duda não saiu de casa por causa das barreiras em torno do velho túnel, que caíram e deixaram os moradores presos.

Bananeiras está ilhada de chuva, de lama e de condomínios. Tem pra mais de trinta. E vindo mais. A sanha dos construtores não respeita nem a natureza. Estão derrubando uma Mata Atlântica para construir condomínio. Perto da Universidade, a mata foi derrubada para dar lugar a um condomínio boutique. Até o clima mudou, não existe mais frio.

No mais, vamos aguardar a segunda-feira e torcer para não se cumprir a profecia do cartomante, que garantiu uma derrota do Brasil para o Japão.

PEDRO FOGUETEIRO

Hoje seria a grande festa de Pedro Fogueteiro em Princesa. Nascido no mesmo dia do santo e por isso batizado com o mesmo nome, Pedro comemorava  a data em grande estilo. Começava com a alvorada pelos pifeiros do Jericó. A música inundava os céus e o pipocar das bombas acordava a cidade. Carmélia abria as portas da casa no Cancão para receber o povo, que bebia café, comia bolo e cantava benditos.

À noite havia a novena e depois a queima das rodas de fogo, dos homens batendo no pilão, os balões singrando os ares e os pifeiros,  de beiços inchados de tanto tocar, animando a festa.

Com o passar do tempo, Pedro aumentou a comemoração. Já sem Carmélia e casado de novo, construiu um palhoção que interditava a rua, E o povo dançava até o raiar do novo dia.

Um dia Pedro morreu, mas a festa continua. Seus descendentes honram a sua memória. Com pifeiros e tudo o mais.

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