A eleição perdeu a graça

As campanhas políticas perderam o encanto, ficaram sem graça. Encurtaram o tempo, diminuíram a campanha para apenas dois meses e, incrível, agora os candidatos pedem dinheiro ao eleitor, em vez de dar.

O pobre do eleitor passava quatro anos na pindaíba, para tirar o bucho do atraso na campanha. Agora nem isso. Passa quatro anos comendo ruim e ainda é obrigado a tirar de onde não tem para dar a quem tem tanto.

Eu alcancei as campanhas de mesa farta. O eleitor comparecia à casa do chefe político para almoçar e só votava de bucho cheio. Bois e mais bois eram abatidos no quintal do coronel e dali saíam para a cozinha da casa grande , onde viravam guisado.

A carne cheirava e a farofa de cebola, então, nem se fala.

O cabra comia até ficar azul. O bucho inchava e ele votava aos peidos.

As autoridades, porém, acharam que dar de comer a eleitor era corrupção. Tiraram o boi e a farofa. O eleitor passou a votar de graça e a seco. Salvavam-se a gorjeta, o corte de tecido e as feiras. Também isso foi proibido, embora alguns políticos mais espertos tenham continuado a fazer a distribuição nas caladas das noites.

Hoje o eleitor paga pra votar. Tem candidato fazendo vaquinha na internet, pedindo uma gorjeta, uma doação, um real de esmola.

Eu, sinceramente, não dou. Primeiro, porque não tenho. E segundo por achar que quem não pode com o pote, não se agarra na rodilha.

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Sobre Tião Lucena

Sobre Tião Lucena

Tião Lucena, nascido e criado no Sertão, é jornalista desde 1975, tendo começado em A União como repórter e trabalhado em O Norte, no Correio da Paraíba, no Jornal O Momento e no jornal de Agá.

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