As primeiras do dia

Segunda é dia de branco, é o começo. O que passou, passou, e o passado não volta, já ensinava Tia Jovelina, que viveu 89 anos e ficou numa peínha de nada para chegar aos 90. Morreu virgem, nunca casou, era moça como gostava de anunciar. Filha de Maria, foi a segunda mãe dos filhos de Miguel e Emília. Ainda hoje bate saudade quando falo dela.

Mas eu falava de segunda-feira. Num tempo não muito distante, era o dia da ressaca, da boca seca, do enfado, da dor de cabeça e do arrependimento. “Nunca mais eu bebo”, ouvia isso de muitas bocas. Mas quando a sexta se aproximava, todas as promessas feitas na segunda estavam mortas e sepultadas.

O fim de semana foi carregado. Os amigos do meu tempo estão morrendo na fila. O mais recente foi Anchieta Gualter. O leitor daqui não o conheceu, mas o de Tavares sabe que se tratava de uma pessoa muito boa. Fui seu amigo por 40 anos. Ainda lembro das minhas idas a Tavares, quando moço, para a feira da segunda. Terminava o passeio na casa de Anchieta onde almoçava pirão de costela.

Lá em Bananeiras teve caminhos do frio. A cidade continua linda, fria, quase gelada e acolhedora. No final de semana estava lotada. O que tinha de carros de luxo rodando pelas ruas centrais, não estava no gibi. O mundo todo desceu ou subiu para Bananeiras. Acho que o caminhos do frio empatou com o São João em termos de atração turística.

Bananeiras ganhou um restaurante novo. É o Casarão. Ainda não entrei lá, mas Ramalho Leite jura que vale a pena. Tem comida boa, preço baixo e uma vista da cidade que vale a pena conferir. Eu vou conferir na próxima ida.

No mais, tudo nos conformes, vamos enfrentar esta segunda-feira ingrata, que chegou tão depressa só pra contrariar.

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Juro que fiquei sem saber em quem votar depois de assistir o debate dos presidenciáveis. Não empolgou. Foi o debate do sono, do tédio. Chamou atenção a fraqueza de pernas do senhor Bolsonaro. Parece que o homem estava de pernas bambas. Tanto estava que, enquanto os outros mantiveram-se de pé, ele ficou sentado o tempo todo. Nem Marina, que é magrinha, só o buraco e a catinga, se valeu da cadeira.

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E o senador Alvaro Dias com a cara toda espichada!

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E o Boulos com a cara de quem comeu cinco quilos de bolo!

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E o Meireles, com a cara de quem não caga há meses!

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E o cabo não sei quem, com a cara de quem comeu e não gostou!

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E o Bolsonaro de novo, com a cara de quem tomou o estoque de calmantes da Farmácia de Zé de Edezel!

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Tá feia a coisa.

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Sobre Tião Lucena

Sobre Tião Lucena

Tião Lucena, nascido e criado no Sertão, é jornalista desde 1975, tendo começado em A União como repórter e trabalhado em O Norte, no Correio da Paraíba, no Jornal O Momento e no jornal de Agá.

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