João Azevedo deixa o Governo hoje, passa o cargo ao vice-governador e vai disputar o Senado. Já vi essa cena, a primeira vez foi na década de 70, Ivan era o governador, Dorgival o vice, o primeiro passou o governo para o segundo, eu estava lá cobrindo o evento.
-Precisa disso tudo Ivan? -, questionou Dorgival quando o mandaram passar a tropa em revista.
Cumpridas as formalidades, tudo se resolveu, Ivan foi à luta, Dorgival virou governador, o partido unido em torno do candidato, que tinha a revolução a seu favor, Zé Américo a seu favor, o governador eleito em pleito indireto a seu favor, a Assembleia a seu favor, a bancada federal a seu favor, marchou para a batalha, que terminou perdida.
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Ivan perdeu para Humberto Lucena. Até Bosco Barreto, que fez campanha sem sair de Cajazeiras, teve mais votos do que ele. Foi uma injustiça o que fizeram com o ilustre filho de Cajazeiras (Ivan era de lá), mas a política sempre foi uma caixinha de surpresas.
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Também vi quando Burity saiu, em 82, para ser candidato a deputado federal. Nesse ano aconteceu a primeira eleição direta para governador pós revolução de 64. Burity passou o governo para o vice, Clóvis Bezerra, um cidadão de cabelos brancos e muita história pra contar, médico, ex-deputado e ex-secretário da saúde.
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Burity foi traído, não por Doutor Clóvis, mas por Braga. Se elegeu deputado com a maior votação da história da Paraíba, mais de 176 mil votos na talaia. E foi para a oposição depois que Braga o perseguiu e a sua família. As pessoas de Burity que estavam no governo foram exoneradas, dona Giselda, cunhada e presidente do Espaço Cultural, foi despejada por ordem do governador.
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No Governo de Wilson, que foi de 82 a 86, o vice não teve vez. Ficou na berlinda, mas recebeu a promessa de ser o candidato a governador dali a quatro anos. Zé Carlos da Silva Júnior foi enganado. Convencido a renunciar junto com Braga para ser o seu sucessor na eleição seguinte, perdeu o mandato e foi trocado por Marcondes Gadelha. O governador tampão foi Milton Cabral, escolhido em pleito indireto pela Assembleia Legislativa.
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A sina do vice continuou no Governo Burity, eleito em 86. Raymundo Asfora nem tomou posse, se matou com um tiro no ouvido. Burity governou sem vice, foi duramente castigado pela Assembleia Legislativa e entregou o Governo a Ronaldo Cunha Lima com os salários dos servidores atrasados em quatro meses por causa dessa perseguição.
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Foi a partir de Ronaldo que o céu do vice-governador desanuviou. Cícero Lucena foi um vice participante, ativo, amigo do titular, governaram juntos. E quando Ronaldo saiu para ser senador, Cícero deu conta do recado, cumpriu o resto do mandato e dali deslanchou na política, foi ministro de Estado, prefeito de João Pessoa, senador da república, prefeito de novo e agora quer ser governador.
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Em 94, Antônio Mariz recusou Carlos Dunga como candidato a vice. Já sabia do seu estado de saúde e exigiu um companheiro de chapa que fosse da sua inteira confiança. Dunga era apresentado pelo grupo Cunha Lima e Mariz foi atrás de Zé Maranhão, que aceitou a missão, os dois se elegeram, um ano depois da posse Mariz morreu de câncer e Maranhão começou a sua trajetória como o único governador da Paraíba com três mandatos.
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Maranhão se reelegeu em 98, derrotou Gilvan Freire, e seu vice, Roberto Paulino, assumiu o governo quando Zé saiu para ser senador. Paulino não se reelegeu, ficou numa peinha de nada, mas perdeu para Cássio Cunha Lima.
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Que governou por dois mandatos, sendo cassado no segundo e no seu lugar assumiu Maranhão, derrotado na eleição, mas ungido ao cargo de governador na condição de segundo colocado.
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Com Ricardo Coutinho vice não foi problema, mas para garantir a eleição de João Azevedo em 2018, o mago sacrificou uma eleição de senador, ficou no cargo, elegeu o seu então secretário e um ano após a posse João rompeu, começou uma carreira solo que termina hoje.
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Azevedo passa o cargo a Lucas Ribeiro e parte para a aventura do Senado.
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Será que terá a sorte de Maranhão ou o azar de Ivan Bichara?
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E Cícero Lucena continua deixando todo mundo alvoroçado. Sai, fica, fica, sai?
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Ele garante que já tem a decisão tomada, mas só anuncia no sábado, tem tempo, não tem pressa, quem tem pressa come cru.
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E enquanto isso, fica na crista da onda, manchete pra todo lado, os jornalistas alvoroçados correndo atrás dele querendo saber em primeira mão qual será o seu destino.
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Ontem saiu pesquisa para governador, mas ontem foi primeiro de abril.
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Inté.




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