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Atenção, Padre Egídio: Cadê os Outros?

30 de maio de 2026

O Acórdão AC1-TC nº 00349/2026, proferido pela 1ª Câmara do Tribunal de Contas da Paraíba em 26 de março de 2026, no Processo TC nº 09137/23, produziu um resultado que certamente entrará para a galeria das curiosidades administrativas paraibanas.
Depois de analisar um caso envolvendo mais de R$ 11 milhões em recursos públicos destinados ao Hospital Padre Zé, o Tribunal concluiu que Padre Egídio de Carvalho Neto deveria devolver R$ 11.174.100,00 aos cofres públicos, além de pagar multa.
Até aí, tudo dentro da normalidade processual.
O que chama atenção é o roteiro.
O próprio acórdão registra que o Ministério Público de Contas defendia a responsabilização também de Carlos Tibério Limeira Santos Fernandes, Pollyanna Werton Dutra e Gilvaneide Nunes da Silva, todos ex-gestores ligados à Secretaria de Desenvolvimento Humano, órgão responsável pelo acompanhamento dos recursos públicos destinados à entidade.
O Ministério Público de Contas enxergava falhas de fiscalização, monitoramento, acompanhamento e controle dos repasses. Em outras palavras: entendia que o problema não morava sozinho.
Mas, ao final da sessão, aconteceu um fenômeno quase sobrenatural.
As falhas continuaram existindo.
A desorganização continuou existindo.
Os problemas de fiscalização continuaram descritos no processo.
As deficiências de acompanhamento continuaram registradas.
As irregularidades permaneceram nos autos.
Só os responsáveis é que foram desaparecendo.
Quando a fumaça do julgamento baixou, restava apenas uma figura no palco: Padre Egídio.
Tibério saiu.
Pollyanna saiu.
Gilvaneide saiu.
A responsabilidade solidária saiu.
E a conta ficou.
Sozinha.
Com o padre.
É quase uma versão paraibana do clássico romance policial. Há vários personagens circulando durante a narrativa, mas, no último capítulo, todos encontram a porta de saída, exceto um.
O mais curioso é que, paralelamente, o Tribunal de Justiça da Paraíba recebeu denúncia criminal contra Padre Egídio, Tibério Limeira, Pollyanna Dutra e outras pessoas investigadas no caso.
Ou seja, na esfera criminal há uma história com diversos personagens.
Na esfera financeira do Tribunal de Contas, o elenco ficou consideravelmente menor.
Muito menor.
Quase um monólogo.
E isso produz uma cena curiosa.
Os autos falam em fiscalização deficiente.
Os autos falam em monitoramento insuficiente.
Os autos falam em falhas de controle.
Mas, no final, a impressão que fica é que todas essas falhas resolveram praticar o isolamento social e passaram a morar exclusivamente no gabinete do diretor do hospital.
Convenhamos: para quem observa de fora, parece um milagre administrativo.
Milhões de reais circularam.
Convênios foram celebrados.
Relatórios foram produzidos.
Prestações de contas foram apresentadas.
Órgãos públicos participaram da engrenagem.
Diversos gestores passaram pelos cargos ao longo dos anos.
Mas, quando chegou a hora de dividir a conta, aconteceu o que ocorre com frequência em restaurantes: alguns levantaram discretamente, foram ao banheiro e nunca mais voltaram.
Padre Egídio permaneceu à mesa.
Com a fatura.
E olhando para os lados.
Talvez por isso a pergunta que circula nas ruas seja tão simples quanto incômoda:
Padre Egídio, cadê os outros?

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