Carta ao Presidente

  Marcos Pires

Um mês antes de morrer, Dona Maria José esteve em meu escritório. Sabia que vou sempre aos Tribunais Superiores em Brasília e queria um favor; que eu entregasse uma carta pessoalmente ao Presidente Temer. Não ri porque sabia de sua pureza e inocência. Ela fez questão que eu lesse a missiva antes de entrega-la. Era uma carta escrita em papel de caderno espiral, numa letra bem floreada.

“- Meu querido Presidente, espero que esta o encontre bem de saúde. Soube que o senhor passou uns maus bocados com doenças de homem. Mas é isso mesmo, Presidente; quem casa com mulher nova tem que comparecer todos os dias, daí o desgaste natural do “material”, se é que o senhor me perdoa a indiscrição. Pelo menos serviu para mostrar a essa oposição de borra que homem com H não tem medo de nada. Ah, como eu queria que o finado meu marido na sua idade comparecesse pelo menos uma vez ao ano…, mas deixa pra lá; já estou divagando.

O que eu queria lhe dizer, querido Presidente, é que muito embora não tenha votado na sua chapa (na época votei naquele menino do Tancredo, que no final se mostrou muito traquinas, não foi?), desde que o senhor assumiu eu vi onde é que a jiripoca pia. É disso que o Brasil sempre precisou; um homem de verdade, com atitudes firmes e o descortino do seu futuro.

Essa meia dúzia de oposicionistas que teimam em achar defeitos em seu governo (como se isso fosse possível) deu agora para inventar mentiras. Estão espalhando que após o termino do seu mandato o senhor será preso. Morro de rir desses idiotas. Isso porque eu sei qual é o seu plano, meu Presidente. E achei sensacional. É que como todos os principais partidos políticos tem gente enrolada com a justiça, vai ser moleza aprovar no Congresso Nacional, um pouco antes da sua saída, uma anistia ampla, geral e irrestrita para todos os que, até a data da publicação da tal lei, tenham cometido crimes contra o erário, desde que devolvam aos cofres públicos as quantias e bens que forem encontrados em seus nomes. Se já gastaram ou passaram para parentes a grana ou os bens, paciência; porque lei é pra ser cumprida, por mais severa que seja. Me despeço, meu querido, desejando saúde, paz e prosperidade.

Da sua Mazé”.

Revendo uns arquivos encontrei a carta. Será que devo remetê-la?

Deixe uma resposta:

Seu endereço de e-mail não será mostrado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Sliding Sidebar

Sobre Tião Lucena

Sobre Tião Lucena

Tião Lucena, nascido e criado no Sertão, é jornalista desde 1975, tendo começado em A União como repórter e trabalhado em O Norte, no Correio da Paraíba, no Jornal O Momento e no jornal de Agá.

Social Profiles

teste