Conheci homens públicos que não passavam recibo, não lavravam documentos em cartório ou assinavam notas promissórias como garantia de um compromisso.
Bastava a palavra empenhada e um cabelo do bigode.
Na minha terra, os dois grupos que brigavam entre si, quando diziam uma coisa, não tinha quem desmanchasse.
Terto Morais, eterno prefeito de Tavares, preferiu perder uma campanha para não faltar a palavra que deu ao seu candidato.
Vi o comandante Dalmo Teixeira desfilar com um carro de som pelas ruas de Juru chamando os seus eleitores de ingratos por se negarem a votar em Wilson Braga, a quem dera apoio pessoal.
E o que dizer de Zé Américo, de Antônio Vital do Rego, de Tarcísio Burity, de Damásio e Chico Franca, de Alcides Carneiro, de Pedro Gondim, de João Agripino, de Zé Fernandes de Lima e de Ricardo Coutinho, homens de uma palavra só, de um lado só,de uma só corrente?
Hoje o quadro mudou, figurões se aproveitam de ocasiões, sugam o sangue do senador e, no por do sol da política, anunciam apoio a outro candidato que entrou apenas com a cara, a coragem e os adjutórios.
Isso denigre o homem público, mas esse tipo de desmoralização não machuca a quem não tem vergonha na cara.
Quem for sério leva peia no lombo, está fadado ao insucesso.
É a nova cara da política, uma cara cínica e venal.




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