O engraçado em Anacleto Reinaldo é que no começo da carreira ele tinha medo de microfone.
Trabalhava como repórter policial em O Norte, fazia o feijão com arroz sem grande alarde, nos fins de noite esticava as canelas até o Cabaré de Madame Lurdes Fodinha, na Maciel Pinheiro, e tomava seus pileques.
Criou um jornalzinho tabloide, de circulação dirigida, que era vendido na banca de Reginaldo, no Ponto de Cem Réis, também sem repercussão.
Até que um dia o chamaram para ler notícias policiais num programa, salvo engano, da Correio da Paraíba.
No começo, gaguejava, se enrolava, não demonstrava jeito pra coisa.
Com o passar do tempo, foi desarnando, se acostumando e dando certo.
E então que criou o Chumbo Grosso, adotou um palavreado esculachado bem ao gosto do povão e ganhou fama de valente, de abusado e de radical.
E deu certo.
Transformou-se num fenômeno.
Onde chegava fazia sucesso.
Alguns criticavam seu jeito, mas às escondidas o escutavam e gostavam do que ouviam.
Morreu dormindo, no auge da fama.
Foi enterrado de terno e gravata, como andava no dia a dia, parecendo um desembargador.
