Os Campeões da Informação

Da nova série “Os Campeões da Informação” : Anacleto Reinaldo, o Chumbo Grosso

4 de dezembro de 2018

O engraçado em Anacleto Reinaldo é que no começo da carreira ele tinha medo de microfone.

Trabalhava como repórter policial em O Norte, fazia o feijão com arroz sem grande alarde, nos fins de noite esticava as canelas até o Cabaré de Madame Lurdes Fodinha, na Maciel Pinheiro, e tomava seus pileques.

Criou um jornalzinho tabloide, de circulação dirigida, que era vendido na banca de Reginaldo, no Ponto de Cem Réis, também sem repercussão.

Até que um dia o chamaram para ler notícias policiais num programa, salvo engano, da Correio da Paraíba.

No começo, gaguejava, se enrolava, não demonstrava jeito pra coisa.

Com o passar do tempo, foi desarnando, se acostumando e dando certo.

E então que criou o Chumbo Grosso, adotou um palavreado esculachado bem ao gosto do povão e ganhou fama de valente, de abusado e de radical.

E deu certo.

Transformou-se num fenômeno.

Onde chegava fazia sucesso.

Alguns criticavam seu jeito, mas às escondidas o escutavam e gostavam do que ouviam.

Morreu dormindo, no auge da fama.

Foi enterrado de terno e gravata, como andava no dia a dia, parecendo um desembargador.

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